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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
HISTÓRIA CULTURAL

Carnaval nasceu de rituais pagãos e ganhou novos sentidos

Do Império Romano ao Brasil, Carnaval mudou de forma e incorporou influências religiosas, políticas e populares ao longo dos séculos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de fevereiro de 2026
carnaval
Foto: iStock

Antes de ocupar avenidas e arrastar multidões, o Carnaval já funcionava como válvula de escape social na Antiguidade. Em diferentes civilizações, rituais dedicados a divindades permitiam a suspensão temporária da hierarquia. Escravos assumiam o lugar de senhores, autoridades eram simbolicamente humilhadas e a ordem cotidiana era invertida por alguns dias.

Na Babilônia, as Saceias autorizavam um prisioneiro a viver como rei antes de ser executado. No templo de Marduk, o soberano era agredido publicamente como forma de reafirmar o poder divino. Na Grécia, festas ligadas à chegada da primavera reuniam a população sem distinção de origem. Em Roma, a Saturnália introduziu máscaras, banquetes e jogos que alteravam o ritmo da cidade. Esses elementos estruturam o embrião do que viria a ser o Carnaval.

Com a consolidação do cristianismo, as práticas pagãs foram incorporadas ao calendário religioso. A palavra deriva do latim carnis levale, expressão associada à abstinência de carne antes da Quaresma. O período passou a anteceder os quarenta dias que precedem a Páscoa, transformando o Carnaval em um intervalo marcado por excessos antes da disciplina litúrgica.

Carnaval na Europa e a força das máscaras

Em Veneza, o uso de máscaras tornou-se símbolo da festa. Nobres circulavam entre o povo sem revelar identidade, ampliando o anonimato e a liberdade de comportamento. A tradição influenciou outros centros urbanos, como Nice e as Ilhas Canárias. Em Nova Orleans, nos Estados Unidos, e em cidades latino-americanas como Oruro e Barranquilla, o Carnaval adquiriu características próprias, mantendo a ideia de ruptura momentânea das normas.

Carnaval no Brasil: entrudo, samba e escolas

No Brasil, o Carnaval ganhou contornos específicos a partir do entrudo português, prática que envolvia arremesso de água, farinha e tinta. Paralelamente, africanos escravizados mantinham batuques e danças que mais tarde influenciariam marchinhas e o samba.

No final do século XIX, surge “Ó Abre Alas”, composta por Chiquinha Gonzaga, marco das marchinhas. Ranchos, cordões e sociedades carnavalescas passaram a ocupar as ruas. Na década de 1920, a agremiação Deixa Falar, no Rio de Janeiro, inaugurou o modelo das escolas de samba, posteriormente institucionalizadas como Grêmios Recreativos Escola de Samba.

A construção do Sambódromo concentrou os desfiles na Marquês de Sapucaí, enquanto blocos como Cordão do Bola Preta e Cacique de Ramos mantiveram o Carnaval de rua ativo. No Nordeste, Salvador consolidou os trios elétricos criados por Dodô e Osmar em 1950, e Recife fortaleceu o frevo e os bonecos gigantes de Olinda.

Ao longo dos séculos, o Carnaval deixou de ser apenas rito religioso ou prática pagã e passou a refletir disputas simbólicas, transformações urbanas e identidades regionais. Entre máscaras, batuques e desfiles, a festa preserva a ideia original de suspensão temporária da ordem, adaptada a diferentes contextos históricos e sociais.

Leia mais: Carnaval não é feriado nacional; funcionamento dos serviços depende de estados e municípios
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