Rubio vê impasse com Irã a véspera de nova rodada de negociações
Declarações de Rubio, exercício militar no Estreito de Ormuz e reforço naval americano marcam véspera de negociações
Na véspera de mais uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear de Teerã, declarações de Marco Rubio, movimentações militares e reações do mercado internacional ampliaram o clima de tensão entre os dois países. Washington e Teerã retomam as conversas nesta terça-feira (17).
Em Budapeste, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na segunda-feira (16), que será difícil alcançar um acordo com o governo iraniano. Segundo ele, a estrutura de poder em Teerã interfere diretamente nas decisões políticas.
“Olha, fazer um acordo com o Irã não é fácil, eu disse isso ontem e repito hoje. Precisamos entender que o Irã é governado, em última instância, e suas decisões são influenciadas por clérigos xiitas — clérigos xiitas radicais, ok? Essas pessoas tomam decisões políticas com base em pura teologia, é assim que elas decidem”, declarou, Rubio.
Rubio, que também atua como conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, cumpre agenda pela Europa Central, com passagens pela Eslováquia e Hungria.

Declarações de Rubio acontecem em meio a retomada de diálogo
As negociações foram retomadas no início do mês, com o objetivo de resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano. Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais sustentam que o Irã busca desenvolver armas nucleares. Teerã nega e afirma que seu programa tem fins pacíficos.
Às vésperas do novo encontro, Washington mantém pressão militar na região. Após participar de ataques aéreos contra o Irã em junho de 2025, os Estados Unidos enviaram um segundo grupo de ataque de porta-aviões ao Oriente Médio, além de reforçar a presença de navios de guerra e aeronaves. O porta-aviões USS Gerald R. Ford está entre os deslocados para a região.
O governo norte-americano tenta ampliar o escopo das conversas para incluir o programa de mísseis iraniano. Teerã, por sua vez, afirma que aceita discutir apenas restrições ao seu programa nuclear em troca do alívio de sanções e rejeita a exigência de enriquecimento zero de urânio.
Chanceler iraniano se reúne com IAEA
Em Genebra, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu na segunda-feira com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), Rafael Grossi, antes da nova rodada de tratativas.
“Estou em Genebra com ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo. O que não está em discussão: submissão diante de ameaças”, publicou Araqchi no X.

No mesmo dia, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã realizou um exercício no Estreito de Ormuz. De acordo com a agência semioficial Tasnim, a operação, denominada “Controle Inteligente do Estreito de Ormuz”, buscou testar a prontidão das forças diante de “possíveis ameaças à segurança e militares”.
Ainda, o impacto das negociações também se reflete no mercado. No mercado internacional, os preços do petróleo registraram leve alta enquanto investidores acompanham os desdobramentos diplomáticos e avaliam possíveis impactos na oferta global.
As conversas ocorrem após Trump adotar tom cético sobre as negociações. Na sexta-feira (13), ele afirmou que os iranianos “falam muito e não fazem nada” e disse que uma mudança de regime seria “a melhor coisa que poderia acontecer”. O presidente também declarou que instalações nucleares iranianas foram “destruídas” em ataques no ano passado, ao mesmo tempo em que defendeu um acordo para evitar novo confronto militar.
A primeira rodada de negociações indiretas ocorreu em Omã, em 6 de fevereiro. Tentativas anteriores fracassaram e logo após aconteceu a chamada “guerra dos 12 dias”.