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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
SAÚDE

Estudo questiona eficácia do jejum intermitente

Análise da Cochrane indica que método não supera dieta convencional na perda de peso

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de fevereiro de 2026
jejum intermitente
Foto: iStock

A ideia de que o jejum intermitente seria superior às dietas tradicionais para emagrecimento não encontra respaldo sólido nas evidências científicas atuais. É o que aponta uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, que avaliou 22 estudos clínicos envolvendo quase 2.000 adultos com sobrepeso ou obesidade.

A análise comparou diferentes protocolos de jejum intermitente com orientações nutricionais convencionais, baseadas na redução calórica e na melhora da qualidade alimentar, além de cenários sem intervenção específica. O acompanhamento considerou intervenções com duração de até 12 meses.

A conclusão foi direta: o jejum intermitente pode fazer pouca ou nenhuma diferença na perda de peso e na qualidade de vida quando comparado às recomendações padrão.

Evidências sobre jejum intermitente

O jejum intermitente ganhou popularidade sobretudo nas redes sociais e apresenta formatos variados. Há modelos que limitam a alimentação a janelas específicas do dia, outros que alternam dias de ingestão habitual com dias de consumo bastante reduzido e a chamada dieta 5:2, que prevê restrição significativa de calorias em dois dias não consecutivos da semana.

Apesar da adesão crescente, a revisão identificou limitações importantes nos estudos disponíveis. Muitos incluíam amostras pequenas e não adotavam desenhos metodológicos considerados mais robustos, o que compromete a força estatística dos resultados e sua aplicabilidade a diferentes populações.

O trabalho também destaca a ausência de evidências consistentes sobre possíveis benefícios adicionais do jejum intermitente em parâmetros metabólicos ou em doenças associadas, como o diabetes tipo 2. Faltam ainda dados detalhados que considerem diferenças entre sexos, faixas de índice de massa corporal e contextos geográficos.

Diante desse quadro, especialistas reforçam que estratégias de perda de peso devem priorizar intervenções individualizadas e sustentáveis, fundamentadas em evidências consolidadas, em vez de promessas de eficácia superior associadas a métodos específicos.

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