Polilaminina projeta Tatiana Sampaio no debate mundial
Pesquisadora da UFRJ avança para fase clínica com molécula que busca restaurar movimentos em lesões medulares
Em meio ao noticiário dominado por festas e folia, um nome da ciência brasileira passou a circular com força nas redes sociais internacionais. Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tornou-se referência ao liderar o desenvolvimento da polilaminina, substância que desponta como candidata a tratamento para lesões graves na medula espinhal.
A trajetória que culmina agora na fase clínica começou há quase três décadas. Desde 1997, Tatiana investiga a laminina, proteína presente na matriz extracelular que organiza tecidos e orienta o crescimento neuronal. Em laboratório, sua equipe desenvolveu a versão polimerizada da molécula, capaz de formar estruturas tridimensionais que favorecem a regeneração de axônios, prolongamentos responsáveis pela condução de impulsos nervosos.
Resultados preliminares divulgados no ano passado indicaram recuperação parcial de movimentos em seis dos oito pacientes avaliados. Um deles, com paralisia do ombro para baixo, voltou a caminhar. Os dados ainda aguardam validação científica ampla, mas impulsionaram o debate público e mobilizaram autoridades.

Polilaminina entra na fase 1 de testes
No fim de janeiro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou o início do estudo clínico de fase 1, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “É um marco importante para a saúde, especialmente para pessoas com lesão medular aguda e crônica. Cada avanço científico e tecnológico renova a esperança e reforça o compromisso do Ministério da Saúde com o fortalecimento da pesquisa clínica. A aprovação, pela Anvisa, de um estudo desenvolvido em uma universidade pública tem potencial para revolucionar o tratamento no SUS e no país. O Brasil demonstra, assim, sua capacidade inovadora e oferece esperança a milhares de pessoas”, afirmou.
A primeira etapa envolverá cinco voluntários com lesão torácica completa recente, acompanhados por seis meses para avaliação de segurança. Somente após essa fase será possível avançar para estudos ampliados de eficácia.
Tatiana também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da tramitação regulatória. “Estamos respondendo todas as questões feitas pela Anvisa,mas precisamos avançar”, declarou.
A circulação de relatos nas redes sociais sobre pacientes que obtiveram acesso à substância por decisão judicial levou os desenvolvedores a reforçar que essas aplicações não integram o protocolo oficial aprovado pela agência reguladora. O laboratório parceiro informou que nove doses foram administradas por força de liminar, sem custo aos pacientes, mas fora do escopo científico formal.
A polilaminina, ainda em avaliação, não é apresentada como solução isolada, mas como componente potencial de estratégias terapêuticas combinadas. A comunidade científica acompanha as próximas fases com expectativa e cautela, ciente de que a travessia entre promessa experimental e tratamento consolidado exige tempo, rigor metodológico e confirmação independente dos resultados.
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