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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
SAÚDE

Câncer: 43% das mortes no Brasil são evitáveis

Estudo internacional publicado na The Lancet aponta que prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamento poderiam reduzir óbitos no país

Luana Avelarpor Luana Avelar em 20 de fevereiro de 2026
Câncer
Foto: iStock

Quase metade das mortes por câncer registradas no Brasil poderia ser evitada. Estudo internacional publicado na revista científica The Lancet estima que 43,2% dos óbitos provocados pela doença no país decorrem de falhas em prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.

Com base em casos diagnosticados em 2022, a pesquisa projeta que cerca de 253,2 mil brasileiros morrerão em até cinco anos após a detecção da doença. Desse total, aproximadamente 109,4 mil mortes seriam evitáveis. Entre elas, 65,2 mil poderiam ter sido prevenidas antes mesmo do surgimento da doença, enquanto 44,2 mil dependeriam de diagnóstico em tempo oportuno e tratamento eficaz.

Câncer e desigualdade global

O levantamento avaliou 35 tipos de câncer em 185 países e estimou que, no mundo, 47,6% das mortes associadas à doença poderiam ser evitadas. Isso equivale a quase 4,5 milhões dos 9,4 milhões de óbitos registrados globalmente. Cerca de um terço das mortes é classificado como prevenível, enquanto 14,4% estariam relacionadas à ausência de diagnóstico precoce ou de tratamento curativo.

A análise revela disparidades marcantes. Países do norte da Europa apresentam índices inferiores a 30% de mortes evitáveis, como Suécia, Noruega e Finlândia. Em contraste, nações africanas concentram as principais proporções, superando 70% em alguns casos. A América do Sul registra 43,8%, percentual próximo ao observado no Brasil.

As desigualdades também se manifestam quando os países são agrupados por Índice de Desenvolvimento Humano. Em nações de baixo IDH, 60,8% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas. Em países de IDH muito alto, a proporção cai para 40,5%. O Brasil integra o grupo de IDH alto.

Entre os principais fatores associados às mortes preveníveis estão tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções como HPV, hepatites virais e Helicobacter pylori. O câncer de pulmão responde pela maior parcela das mortes preveníveis, enquanto o câncer de mama lidera entre os casos considerados tratáveis com diagnóstico oportuno.

Os dados reforçam a centralidade de políticas públicas voltadas à redução de fatores de risco, ampliação da vacinação, rastreamento sistemático e garantia de acesso ao tratamento. No Brasil, campanhas de prevenção e diagnóstico precoce são conduzidas regularmente pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer, mas o estudo indica que a magnitude do desafio ainda exige ampliação de cobertura e enfrentamento das desigualdades regionais.

Câncer
Foto: iStock

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