Povo a favor é legado de Caiado para Goiás mostrar ao Brasil
Governador ganhou duas eleições em 1º turno sem discussão sobre obras porque seu legado é o orgulho dos goianos em viver num lugar que consideram tranquilo e em desenvolvimento, uma percepção superior a qualquer favorável
Dois dos mais proeminentes sustentáculos dos mandatos executivos de Ronaldo Caiado, ambos conquistados em 1º turno, estão no setor de obras, Pedro Sales, presidente da agência de infraestrutura (Goinfra), e Adib Elias, secretário da área. Porém, conforme se viu em seu discurso na abertura do ano legislativo na Assembleia, o governador não faz de sua prestação de conta uma grande lista de obras. Para ele, seu maior feito é o orgulho que os goianos têm de viver aqui – e para isso não existe placa de inauguração.
O estímulo para Caiado se candidatar a presidente da República foi lançado por estudantes das escolas públicas estaduais. Do nada, eles gravavam vídeos mostrando os tênis recebidos do governo. Bombavam no TikTok. Donas de casa exibem orgulhosas o fato de que agora são, realmente, donas de casa, e sem prestação para pagar. Outras pedem para parentes filmá-las saindo do barracão e se mudando para imóvel melhor com aluguel quitado pelo governo. Essas postagens ganharam o Brasil com dezenas de milhões de views e centenas de milhares de comentários.
O tio Caiado da juventude
A molecada se considera íntima do presidenciável. Chama-o de “Ti Caiado”. Comentaristas, apresentadores e entrevistados dos maiores podcasts descem a mutamba nos políticos por causa da segurança. Livram a cara de apenas um: Ronaldo Caiado. As estatísticas de órgãos federais perderam a credibilidade, na análise popular, porque apontam (e devem estar corretas) quedas bruscas no número de homicídios no eixo Rio-São Paulo. O problema é que os próprios moradores desses Estados e das demais unidades da federação não têm o que sobra em Goiás: a sensação de segurança.
No caso da Educação, existe um lastro em anos de investimento, que começou sem alarde. Em vez de arrumar mais dívidas com empreiteiras construindo prédios, Caiado partiu para reformas e ampliações do que já existia. Foram mais de mil colégios novinhos em folha, mesmo os erguidos há meio século, os da época de Irapuan Costa e Ary Valadão permanecem de pé e com cara de firmes.
Da escola pública para startups
O que economizou em desperdício e desvio, gastou não apenas em calçados, mas em uniformes completos, computadores pessoais para os estudantes, mochilas cheias de materiais escolares e novidades como a robótica. A inteligência artificial de que a segurança pública se vale começou na escola. E, sim, já tem egresso dos colégios estaduais com startups montadas. Esse desenvolvimento foi colhido pelos exames nacionais, com o 1º lugar no Ideb.
Caiado não substituiu qualquer um. Os governos de Marconi Perillo foram realizadores, à exceção do último (2015-2018), concluído debaixo de violência incontrolável nas ruas e no campo, atraso de pagamento dos servidores. Além disso, os seguidos escândalos nacionais e regionais deram às obras públicas uma cara de corrupção. Tendo ou não falcatruas, os canteiros de obras são vistos como fábricas de irregularidades. Por isso, o pai de família prefere que seu filho tenha futuro a que a estrada de escoamento de soja seja duplicada, até porque nenhum parente ou amigo seu dispõe de safra para transportar.
Aprimorou-se fora e fez sucesso aqui
Esse axioma remete aos agropecuaristas, a categoria cuja defesa colocou na política o médico Ronaldo Caiado, que acabara de instalar em Goiânia a COT, Clínica de Ortopedia e Traumatologia, para consertar canela quebrada, espinhela caída e ossos fraturados em geral. Passara mais de década morando fora, secundarista em Belo Horizonte, universitário no Rio de Janeiro e especializando na França. As técnicas aprendidas em ótimas academias e afiadas em hospitais de subúrbios carioca e parisiense logo fizeram sucesso em Goiás. Mas foi em cima de cavalos, tratores e palanques que a voz tonitruante ressoou. E não se calou mais.
A repercussão da tal “taxa do agro” se agigantou quando foi aprovada e agora ficou quando debaixo de um quieto após Caiado falar em dizimá-la. Na verdade, a ideia é de primeira qualidade, mas acabou vítima de campanhas infindáveis advindas de quem prefere ser custeado sempre e colaborar nunca, e isso inclui as autoridades que a combateram na Justiça.
Quem falou que não tem praia?
Porém, as imagens dos insatisfeitos com essa ou aquela decisão foram incentivo para os beneficiários populares se mostrarem favoráveis. Os vídeos campeões de audiência são os de goianos se dizendo maravilhados com a própria terra, as crianças elogiando a qualidade dos brinquedos distribuídos por Gracinha Caiado, os turistas encantados pelo fato de andarem pelas ruas à noite conversando ao celular e ninguém os assaltar. Para Goiânia, apenas uma crítica: não tem praia. Mas siga em frente, pela Rodovia do Boi, que daqui a três horas está o Rio Araguaia, para todo lado tem lago, em todas as regiões há minério e gente feliz, dois tesouros que tanta falta fazem ao País.
Cada rosto de goiano é um cartão-postal para Caiado apresentar ao Brasil na caminhada rumo ao Palácio do Planalto. Se pingar suor, nada de preocupação: é o trabalho incessante. Se ecoar um riso, nada de susto: é a autoestima emitindo sua opinião. Se estiver em branco, pode preencher e enviar para o futuro, que logo Goiás o ultrapassa.
(Especial para O HOJE)