Ana Paula racha MDB de Daniel e já leva iristas para Wilder
Reunião do PL tem Valdemar Costa Neto presencial, Flávio Bolsonaro por vídeo e clima de pré-campanha com quadros novos e até caiadistas da velha guarda
Ana Paula teve em 20 de fevereiro seu dia de Iris. A filha do casal Rezende, que dominou a política no Estado de 1982 a 1998 e a de Goiânia até 2020, foi anunciada como a novidade do PL pelo próprio presidente do diretório regional do partido, o senador Wilder Morais, com quem vai dividir a chapa majoritária, ele governador, ela vice.
O entusiasmo com a filiação de Ana Paula reviveu na Tamandaré o clima de festa dos anos 1970/80, quando a juventude dominava aquele equipamento público. Em outra praça da região, a Cívica, o clima deve ter sido mais frio que a Groenlândia: a filha dos Iris acabava de rachar o MDB como o aquecimento global está rachando o gelo na ilha pretendida por Donald Trump.
Antigos companheiros do pai já usam botton do PL
Ali trabalha o vice-governador Daniel Vilela, atual presidente do MDB e pré-candidato a ser por mais quatro anos vizinho do Monumento às Três Raças. Apesar de não ter sido citado no evento do PL, Vilela foi o mais atingido, já que Ana Paula levou já na sua chegada iristas e caiadistas da velha guarda. Até o botton do PL alguns deles usavam.
Com os dois atos, rachar o MDB e quebrar o gelo das adesões a Wilder, ela colocou um sorriso na cara da multidão, gerou êxtase no público e gritos eufóricos, faltaram apenas os foguetes tradicionais da época dos mutirões iristas. Apesar de nunca ter sido votada, Ana Paula Rezende Machado Craveiro viveu a política goiana desde o berço. Ou antes.
Ana Paula assessorava o pai voluntariamente
Quando nasceu, o pai já havia presidido a Câmara de Vereadores da Capital e a Assembleia Legislativa, além de pouco antes ter sido tirado na marra da Prefeitura de Goiânia. Era pré-adolescente quando Iris se elegeu governador a 1ª vez (1982) e ministro da Agricultura (1986 a 1990), quando a família voltou ao Palácio das Esmeraldas, sede do Poder Executivo de Goiás. Iris seria em seguida senador e prefeito de Goiânia por mais três mandatos, que foi quando Ana Paula passou a assessorar o pai sem ser nomeada para cargos.
Sua mãe também marcou época na política. Além de primeira-dama por meia dúzia de mandatos e deputada federal em outros dois, entrou para a história como pioneira na bancada feminina goiana no Senado: como suplente de Maguito Vilela, assumiu em 1º de fevereiro de 1999 e, com ele de licença, virou titular em 25 de fevereiro de 2003 – Lúcia Vânia havia tomado posse 24 dias antes. Foi presidente regional e nacional do PMDB, hoje MDB.
Os Iris ficariam orgulhosos
Os dois Iris ficariam muito orgulhosos da independência e da coragem representadas pela filha na sede do PL. Aderir a governo é para qualquer um, se juntar a oposicionista é coisa de quem herdou brio. Junto com a irmã, a médica Adriana, Ana Paula circulou de cabeça erguida e abraçando no tradicional modelo Iris Rezende, olhando no olho, e – surpresa! – chamando pelo nome alguns dos presentes.
Não, não era o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, autor da fala mais incisiva pró-candidatura de Wilder. Nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou via telão, pedindo aos liberais que entrassem na pré-campanha de Wilder. Nem os deputados, vereadores e prefeitos presentes. Chamava pelo nome gente do povão mesmo, tipo Iris em seus aniversários na fazenda em Guapó, que Wilder tem revivido na sua Toca da Orca, entre Goiânia e Nerópolis, no município de Santo Antônio de Goiás.
Deputados Aqui? Nunca mais
Essa é sua nova turma, muitos conhece até pelo apelido, a maioria está vendo pela primeira vez. Dificilmente será convidada para os palanques do programa Deputados Aqui, pagos pelo dinheiro público mandado para a Assembleia Legislativa. Vai reviver a oposição, terreno que seu pai habitou no início da carreira, depois durante o regime militar e nos 20 anos de Marconi Perillo como mandante do Estado. Portanto, novidade não é – os Rezende andaram bastante em estrada de chão.
Além do eleitor dos dois Iris, Ana Paula leva para o grupo do PL a bandeira do centro, que não é o Centrão fisiológico. Ela era da ala bolsonarista do MDB, inclusive graças à religião – é protestante fanática, acredita em Deus com uma voracidade assustadora, o que a assemelha a seu companheiro de chapa: Wilder faz suas orações conversando com Deus como se fosse seu amigo de pescaria, um colega de trabalho para dividir alegrias e dúvidas.
Participou do sucesso administrativo da família

Mas o ativo de que o Estado pode mais se aproveitar com a dupla Wilder/Ana Paula é o que ela aprendeu na convivência com o pai. A filha participava diretamente dos projetos de Iris na Prefeitura de Goiânia. Discutia, opinava, brigava, arrumava inimigos, conquistava amigos, só não passava em branco. Muito do sucesso de Iris pode ser dividido com as discussões terríveis que Ana Paula travava com a equipe.
Outra fonte de consultas para eventual plano de governo Wilder/Ana Paula são as realizações pelos quatro cantos, de Itumbiara a Porangatu, de Catalão a São Miguel do Araguaia, de Aporé a Campos Belos, de Aparecida a Anhanguera, de Abadia a Vila Propício. Iris Rezende fez obras em todos os municípios de Goiás. Dona Íris teve trabalho social em todos os municípios de Goiás, as sedes, as vilas, os assentamentos, os povoados, os distritos, as beiras de brejo, tudo quanto é lugar.
E Wilder ficou famoso por ajudar lideranças locais sem sequer perguntar o partido, o que resultou também em obras, serviços, maquinário e outros recursos também para os 246 municípios. Se Ana Paula juntar o trabalho de seus pais e o de seu companheiro de chapa dá um livro grossão igual à Bíblia que ela tanto gosta de ler.