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domingo, 22 de fevereiro de 2026
Álbum

ARREDA marca estreia da Terra Cabula em Goiás

Álbum ARREDA chega às plataformas como manifesto contra opressões e celebração da ancestralidade

Luana Avelarpor Luana Avelar em 22 de fevereiro de 2026
ARREDA
Foto: divulgação

A palavra que dá nome ao disco é também um gesto político. ARREDA, primeiro álbum da banda goiana Terra Cabula, chega às plataformas digitais no dia 23 de fevereiro como afirmação estética e posicionamento público. Mais do que estreia fonográfica, ARREDA se apresenta como manifesto coletivo que convoca ancestralidade, religiosidade e resistência no cenário independente de Goiás.

Formado por Vinicius Bolivar, Ingrid Lobo, Emanuel Mastrella e Lene Black, o grupo materializa no disco inquietações que já pulsavam nos palcos. São oito faixas autorais que atravessam jongo, maracatu, coco, samba, baião e ijexá, costurados por intervenções eletrônicas e camadas de guitarras distorcidas. O resultado é uma sonoridade que articula rito, performance e tensão contemporânea.

ARREDA
Foto: divulgação

ARREDA como travessia e enfrentamento

A narrativa de ARREDA se constrói como percurso espiritual e existencial. “Na Calada” inaugura o álbum a partir da fuga e do rompimento com silêncios. Em “Telebê”, a força da mandinga e das espiritualidades de terreiro assume protagonismo. “Demanda” explicita embates que testam permanências, enquanto “Mulher Demônia” ressignifica quedas como reconstrução.

Em “Ewá”, a delicadeza convive com mistério. “Pisei na Pedra” amplia a densidade ao evocar memória e peso ancestral. O encerramento, com “Guiã” e “Foi na Beira do Mar”, consolida a ideia de rompimento e proteção, reafirmando esperança após a travessia.

Para o vocalista Vinicius Bolivar, ARREDA é “palavra de ordem para quem quer nos oprimir: aqui não. Não mais. Não passarão sobre nossos corpos, nossa fé, nossa arte, nossa história. É o pedido de basta ao racismo religioso, à homofobia, ao feminicídio, ao machismo, ao racismo e à misoginia”. A declaração sintetiza o eixo conceitual do trabalho.

Em um contexto de intolerância às religiões de matriz africana, o álbum assume a tarefa de reverenciar o sagrado e confrontar estigmas. Lene Black afirma que a banda canta resistências e se embrenha no solo fertilizado com sangue e suor do povo preto.

Fundada em 2015, em Goiânia, a Terra Cabula já foi premiada no Festival Canta Cerrado e consolidou presença em festivais regionais. O nome remete à cabula, prática sincrética que permitiu a manutenção de crenças africanas sob repressão colonial.

Produzido coletivamente pelos integrantes, com produção executiva de Milena Nominato e identidade visual assinada por Òkun, ARREDA chega às plataformas de streaming e ao YouTube no dia 23 de fevereiro, ampliando a circulação de uma obra que articula música, memória e posicionamento político na cena goiana contemporânea.

ARREDA
Foto: divulgação

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