Vídeo: chuva histórica em Juiz de Fora causa mortes, deslizamentos e leva cidade à calamidade pública
Volume de água supera recordes, destrói áreas da cidade e leva prefeitura a decretar calamidade pública
Uma forte chuva com acumulado de cerca de 460,4 milímetros atingiu Juiz de Fora (MG) na madrugada desta terça-feira (24), provocando deslizamentos de terra, desabamentos de casas, mortes, feridos, soterramentos e a abertura de crateras em diferentes regiões do município. A prefeitura decretou estado de calamidade pública diante dos danos causados pelo temporal.
O volume de chuva registrado já faz deste fevereiro o mais chuvoso da história da cidade. O acumulado supera o recorde anterior, de 456 milímetros, registrado em 1988, e representa cerca de 270% do esperado para o mês.
De acordo com a prefeitura, pelo menos 14 pessoas morreram até o momento. As vítimas foram registradas em bairros como JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Há ainda feridos e relatos de soterramentos, com equipes em busca de possíveis desaparecidos.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que um barranco cede e arrasta construções inteiras, enquanto moradores tentam fugir da área. A Defesa Civil informou que atendeu 251 ocorrências relacionadas à chuva. Bombeiros, agentes municipais e voluntários atuam no resgate de vítimas.
Bairros atingidos em Juiz de Fora
A Defesa Civil estima que 440 pessoas estejam desabrigadas e recebam acolhimento provisório do poder público. Em algumas regiões, o volume de chuva em apenas um dia ultrapassou os 180 milímetros, como no bairro Nossa Senhora de Lourdes. Santa Rita registrou 172,7 milímetros, e o Distrito Industrial, 161,2 milímetros no mesmo período.
O Rio Paraibuna subiu 65 centímetros em apenas 30 minutos e transbordou em diversos pontos. Por causa disso, a Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha, e o mergulhão da Avenida Barão do Rio Branco foram bloqueados. Também houve transbordamento de três córregos e dezenas de quedas de árvores, que interditaram vias em várias regiões.
Além disso, ao menos duas edificações desabaram e cerca de 20 imóveis foram soterrados, principalmente na região sudeste da cidade. As aulas da rede municipal foram suspensas nesta terça-feira, e servidores administrativos foram autorizados a trabalhar de forma remota.

Calamidade pública e ações emergenciais
A prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública com validade de 180 dias. A medida permite ao município acessar recursos estaduais e federais com mais agilidade para ações de socorro e reconstrução.
“É uma situação extrema, que permite medidas extremas”, afirmou a prefeita. Segundo ela, a prioridade das equipes é resgatar vítimas e dar início às ações de recuperação da cidade.
A prefeitura informou que acionou a Defesa Civil Nacional e a Defesa Civil Estadual para apoio nas operações. A orientação da administração municipal é que moradores evitem deslocamentos desnecessários, especialmente em áreas de risco.
A previsão meteorológica indica continuidade da chuva nos próximos dias, o que mantém o alerta para novos alagamentos e deslizamentos em regiões já afetadas. Equipes seguem em campo para monitoramento das áreas mais vulneráveis e atendimento às ocorrências registradas.
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