Inchaço no rosto: o que é eficaz e o que é mito nas dicas da internet
O inchaço no rosto, na maioria das vezes, está relacionado à retenção de líquidos
Vídeos que ensinam a mergulhar o rosto em tigelas com água gelada ou a deslizar colheres congeladas sobre as bochechas acumulam milhões de visualizações nas redes sociais. As publicações prometem reduzir o inchaço facial em poucos minutos e conquistar um aspecto mais definido quase instantaneamente.
Apesar da popularidade, especialistas alertam que os efeitos dessas técnicas são limitados e temporários. O inchaço no rosto, na maioria das vezes, está relacionado à retenção de líquidos. Entre os principais fatores desencadeantes estão o consumo elevado de sal, a ingestão de bebidas alcoólicas, crises alérgicas e a privação de sono.
Segundo dermatologista Jessica Fernandes, as dicas que viralizam costumam se dividir em três categorias: aplicação de frio, massagens faciais e métodos que promovem efeito tensor imediato. “Essas estratégias podem, sim, diminuir o inchaço aparente e proporcionar sensação de melhora, mas o resultado é passageiro”, ressalta.
O frio provoca vasoconstrição, reduz temporariamente o fluxo sanguíneo na região e pode suavizar o aspecto inchado. Já as massagens estimulam a drenagem linfática, favorecendo a eliminação de líquidos acumulados. No entanto, nenhuma dessas práticas altera de forma definitiva a estrutura facial.
Especialistas reforçam que, para controlar o inchaço de maneira mais eficaz, é fundamental adotar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de sódio, hidratar-se adequadamente e priorizar boas noites de sono.
Diante da avalanche de conteúdos nas redes, dermatologistas recomendam cautela: embora não sejam necessariamente prejudiciais quando feitas com moderação, as técnicas caseiras estão longe de representar soluções milagrosas.
Água fria
O hábito de mergulhar o rosto em uma tigela com água e gelo ganhou espaço nas redes sociais e passou a ser divulgado como solução rápida contra o inchaço facial. A prática, apelidada de “banho de gelo facial”, combina estética e desafio pessoal, atraindo milhões de visualizações.
Segundo a dermatologista Jessica Fernandes, a técnica se baseia em um mecanismo fisiológico simples: o frio provoca a contração dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir temporariamente o inchaço. O mesmo princípio sustenta o uso de globos crioterápicos e máscaras faciais resfriadas.
Apesar da popularidade, a especialista afirma que não é necessário submeter o rosto a temperaturas extremas para obter resultados. Compressas frias ou a aplicação de água gelada já são suficientes para alcançar efeito semelhante.
A médica destaca que o procedimento pode deixar a pele com aparência mais firme e revitalizada, especialmente pela manhã. No entanto, o resultado é passageiro e costuma durar apenas algumas horas.
Ela também alerta para os riscos do excesso. A exposição intensa ao gelo pode irritar peles sensíveis e até desencadear crises de rosácea. A recomendação é aplicar o frio de forma moderada e evitar exageros.
Pedras gua sha
Antes restritos a spas e clínicas de estética, os rolinhos faciais e as pedras de gua sha se popularizaram e passaram a integrar a rotina de cuidados de muitas pessoas. Impulsionados pelas redes sociais, os acessórios são divulgados como ferramentas capazes de modelar, levantar e contornar o rosto.

Apesar da fama, a dermatologista afirma que os dispositivos não promovem firmeza permanente, não alteram a estrutura da pele nem eliminam gordura. Segundo ela, o principal benefício está no efeito relaxante e na melhora temporária do aspecto inchado.
A especialista explica que a massagem suave estimula a drenagem linfática, favorecendo a redução do acúmulo de líquidos quando realizada de forma regular. O movimento direciona o fluido retido para os gânglios linfáticos, permitindo que o organismo faça a drenagem natural.
O resfriamento das ferramentas pode intensificar o efeito, motivo pelo qual muitas pessoas optam por armazená-las na geladeira antes do uso.
Embora o método seja considerado seguro quando feito corretamente, a médica alerta que o excesso de pressão pode causar hematomas e até romper pequenos vasos sanguíneos. A recomendação é aplicar movimentos leves e controlados para evitar danos à pele.
Cremes
Cremes para a área dos olhos com cafeína ganharam destaque nas redes sociais e no mercado de dermocosméticos ao prometer redução quase imediata do inchaço e aparência mais descansada. Indicados por influenciadores e presentes em vídeos de rotina matinal, os produtos se popularizaram como solução prática para bolsas e olheiras.
A dermatologista explica que a região ao redor dos olhos é mais propensa ao acúmulo de líquidos, o que favorece o aspecto inchado. Segundo a especialista, a cafeína atua como um vasoconstritor leve, contraindo temporariamente os vasos sanguíneos e reduzindo a dilatação, mecanismo que contribui para diminuir o volume visível.
De acordo com a médica, além de amenizar o inchaço, o ativo pode auxiliar na redução da retenção de líquidos e suavizar determinadas olheiras. Para melhores resultados, ela recomenda optar por fórmulas que associem cafeína a ingredientes hidratantes, melhorando a qualidade da pele na região.
Manter o produto refrigerado ou aplicá-lo com auxílio de uma colher fria pode intensificar o efeito calmante. Alternativas caseiras, como colheres geladas ou saquinhos de chá frios, seguem o mesmo princípio, embora apresentem resultado mais discreto e temporário.
Apesar da eficácia pontual, a especialista ressalta que é essencial observar as causas do inchaço. Reduzir o consumo de sal e álcool à noite, tratar alergias, priorizar o sono e manter a cabeça levemente elevada ao dormir ajudam a prevenir o problema.
Na maioria dos casos, o inchaço não representa risco à saúde e tende a desaparecer espontaneamente. No entanto, se for persistente, doloroso ou vier acompanhado de sintomas como falta de ar ou inchaço em outras regiões do corpo, a recomendação é buscar avaliação médica.