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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
hostilidade digital

Jovens hiperconectados enfrentam ameaças na internet

Levantamento aponta aumento de hostilidade digital e contato com conteúdos sensíveis entre adolescentes mais velhos

Luana Avelarpor Luana Avelar em 25 de fevereiro de 2026
internet
Foto: iStock

Um levantamento nacional traça um diagnóstico minucioso da relação entre crianças, adolescentes e internet no Brasil. A pesquisa quantitativa, conduzida pela Ipsos a pedido da Unico, ouviu 1.200 jovens de 10 a 17 anos em painel online e apresenta margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O retrato revela uma geração permanentemente conectada e progressivamente mais exposta a riscos.

O acesso à internet é cotidiano: 85% afirmam entrar na rede mais de uma vez ao dia e 96% mantêm ao menos um perfil em redes sociais. O ambiente digital concentra lazer, informação e sociabilidade, mas também amplia a circulação de conteúdos controversos e situações de constrangimento.

No recorte do último ano, 57% relataram contato com material sensível ou controverso. Entre esse grupo, 72% são meninas de 16 e 17 anos. O dado indica que, quanto maior a autonomia e a permanência na internet, maior a exposição a conteúdos potencialmente danosos.

Internet e hostilidade digital entre adolescentes

A hostilidade no ambiente virtual aparece como componente recorrente. Dezoito por cento disseram ter recebido tratamento ofensivo, desagradável ou ameaças online. Entre os mais velhos, o índice sobe para 24%. A sensação de insegurança acompanha a progressão etária: atinge 17% entre 10 e 13 anos e alcança 28% entre 16 e 17.

A percepção de supervisão familiar influencia os resultados. Quando pais ou responsáveis declaram conhecer pouco ou nada da rotina digital dos filhos, o percentual de risco relatado chega a 31%. O acompanhamento sistemático surge como elemento de contenção, ainda que não neutralize completamente os impactos da internet sobre essa faixa etária.

O estudo também abordou vazamento de dados, uso de biometria, jogos e apostas, acesso a pornografia, cyberbullying e assédio. A divulgação ocorre em meio ao avanço regulatório no país, com a implementação prevista do ECA Digital, que impõe deveres às plataformas na prevenção da exposição de menores a conteúdos inadequados e exige mecanismos de verificação mais rigorosos.

O diagnóstico afasta a percepção de neutralidade tecnológica. A internet consolidou-se como espaço central na formação de crianças e adolescentes brasileiros, mas exige vigilância ativa de famílias, empresas e poder público diante de um ambiente que, embora amplie possibilidades, também intensifica vulnerabilidades.

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