Psoríase em crianças: o que é mito e verdade
Dermatologista esclarece dúvidas após repercussão sobre diagnóstico infantil
Após a cantora Pocah revelar que precisou adiar a festa de aniversário da filha por causa de um quadro de psoríase, o tema voltou ao centro das conversas entre pais e responsáveis. A psoríase é contagiosa? Pode atingir crianças pequenas? Existe cura?
A dermatologista Carla Vidal explica que a psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem imunológica e com forte componente genético. As manifestações incluem placas avermelhadas com descamação, além de coceira, ardor ou desconforto em alguns casos.
“É importante reforçar que a psoríase não é contagiosa. Não é uma infecção e não é transmitida pelo contato físico. Essa informação evita, inclusive, preconceito com a pessoa que é acometida pelo diagnóstico.”, afirma a médica.
Psoríase em crianças exige diagnóstico precoce
Embora mais frequente em adultos, a psoríase também pode surgir na infância. Parte significativa dos pacientes apresenta os primeiros sintomas ainda na adolescência ou antes. Em crianças, as lesões podem ser confundidas com dermatite atópica, alergias ou micoses, o que dificulta o reconhecimento inicial.
“O diagnóstico precoce é fundamental para evitar desconforto físico e impacto emocional. A criança pode sofrer com comentários, bullying ou constrangimento, especialmente quando as lesões ficam visíveis”, alerta Dra. Carla.
Sobre a possibilidade de cura, a especialista é objetiva: a psoríase não tem cura definitiva, mas pode ser controlada. O tratamento depende da idade e da gravidade do quadro, podendo incluir medicamentos tópicos, fototerapia e, em situações específicas, terapias sistêmicas ou imunobiológicos.
Outro ponto relevante é a influência emocional. “A pele é um órgão altamente sensível às emoções. Situações de estresse podem desencadear ou intensificar as lesões, tanto em adultos quanto em crianças”, explica.
A dermatologista orienta que pais busquem avaliação médica diante de sinais como placas avermelhadas com descamação esbranquiçada, lesões persistentes que não melhoram com hidratantes comuns, alterações nas unhas e histórico familiar da doença.
“O diagnóstico deve ser feito por um dermatologista. Quanto antes iniciarmos o acompanhamento, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida da criança”, complementa.
Para a especialista, informação é ferramenta central para combater o estigma. “A psoríase não deve ser motivo de isolamento ou exclusão social. Com tratamento adequado e acolhimento, a criança pode ter uma vida absolutamente normal”, conclui Carla Vidal.
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