Recorde, protestos e ameaças marcam discurso do Estado da União de Trump
Com recorde de duração, fala ocorre sob risco eleitoral, protestos da oposição e ênfase no Irã, imigração e economia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na terça-feira (24) o discurso do Estado da União diante do Congresso, em meio à queda nos índices de aprovação e à proximidade das eleições legislativas de 3 de novembro. Com 1 hora e 47 minutos de duração, a fala foi a mais longa já registrada.
A sessão ocorreu sob controle republicano das duas Casas, mas com pesquisas indicando risco de perda de ao menos uma delas nas chamadas “midterms”. Toda a Câmara será renovada, e um terço do Senado estará em disputa.
Ao longo do pronunciamento, Trump alternou ameaças externas, defesa de sua política econômica e ataques à oposição. A política externa ganhou espaço central. O presidente acusou o Irã de tentar desenvolver armas nucleares e mísseis capazes de atingir os EUA. “Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América. Temos as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, afirmou. “Espero que raramente precisemos usá-las. Isso se chama paz por meio da força”, acrescentou.

Ele declarou preferir uma solução diplomática para as tensões com Teerã, mas reforçou: “jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”. O republicano relembrou ataques realizados em junho de 2025 contra alvos iranianos e disse que o país foi alertado a não retomar o programa nuclear. O governo iraniano reagiu, classificando as acusações como “grandes mentiras” e acusando Washington de promover uma “campanha de desinformação”.
Trump também citou a captura de Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro, e afirmou que a operação representou “uma vitória colossal” para a segurança norte-americana. Segundo ele, o venezuelano está preso em Nova York e será julgado nos próximos meses. O presidente disse ainda que trabalha com a presidente interina, Delcy Rodríguez, e defendeu a restauração do domínio dos EUA no hemisfério ocidental.

Trump fala sobre políticas migratórias
Na área migratória, o discurso foi marcado por confrontos verbais. Trump voltou a associar imigração irregular à criminalidade e cobrou a aprovação de novas leis, incluindo exigência de documento de identidade e comprovação de cidadania nas eleições e o fim das chamadas “cidades-santuário”. Em provocação, pediu que se levantassem os que defendem priorizar cidadãos norte-americanos; os democratas permaneceram sentados. Houve bate-boca no plenário, e a deputada Ilhan Omar gritou que o presidente era um mentiroso.
Outro momento tenso ocorreu logo no início da sessão, quando o deputado democrata Al Green, do Texas, levantou-se e ergueu um cartaz em protesto enquanto Trump iniciava sua fala. Diante da recusa do parlamentar em interromper o ato, a presidência da sessão determinou sua retirada. Seguranças o escoltaram para fora do plenário, sob reações divididas entre aplausos de republicanos e críticas de democratas.

Na economia, Trump utilizou os primeiros 40 minutos para exaltar indicadores e afirmar que herdou um país em crise. Disse que a inflação está em queda, a renda em alta e a produção de energia em nível recorde, além de elogiar o pacote aprovado em julho de 2025 que reduz impostos, mas ampliou a dívida nacional. Também criticou a decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou tarifas impostas a outros países, entre eles o Brasil, classificando-a como “frustrante”.
Ainda, ao mencionar o combate ao narcotráfico, o presidente citou a operação no México que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração. “Nós derrubamos o chefe do cartel mais importante do México”, afirmou.