Aviação agrícola atinge 2.866 aeronaves com papel estratégico no agro
Frota aeroagrícola cresce 5,25% e Brasil consolida 2ª maior aviação rural do mundo
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com um total de 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas, consolidando um crescimento de 5,25% em relação ao ano anterior e reforçando a importância da aviação agropecuária como infraestrutura estratégica da produção rural. Os números fazem parte da Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, divulgada durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos, no Rio Grande do Sul.
A expansão da frota não é um fenômeno isolado. Dados anteriores apontavam que o Brasil já contabilizava 2.722 aeronaves agrícolas em operação no início de 2025, um crescimento anual de 7,21% em relação a 2024, consolidando o país como a segunda maior frota agrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm cerca de 3,6 mil aeronaves.
Essa evolução acompanha uma década de expansão consistente da aviação agrícola brasileira, apesar de desafios econômicos e clima de instabilidade, com balanço que mostra uma tendência de modernização, profissionalização e adaptação às demandas de um agronegócio cada vez mais tecnológico.
Produtividade e papel estratégico no agronegócio
A importância das aeronaves agrícolas vai muito além dos números. Segundo especialistas do setor, essas aeronaves são responsáveis por acelerar a aplicação de insumos em grandes áreas de cultivo, como soja, milho e algodão — culturas que dominam o agronegócio brasileiro e exigem precisão, velocidade e ampla capacidade operacional.
Relatórios do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) estimam que a aviação agrícola brasileira movimentou mais de R$ 8 bilhões em serviços em 2024 e que esse valor deve ultrapassar os R$ 10 bilhões até 2028, à medida que a frota continua a crescer e incorporar tecnologias sustentáveis.

A cobertura de áreas agrícolas por aeronaves tripuladas tem impacto direto na produtividade, ajudando a reduzir perdas, otimizar a aplicação de defensivos e fertilizantes e melhorar a qualidade da produção em regiões de grande extensão. A aviação agrícola também é usada em operações especializadas, como controle de ervas daninhas e manejo de grandes plantações em áreas com acesso terrestre limitado.
Mudanças no perfil da frota e profissionalização
O perfil da frota brasileira também tem mudado. Uma parte significativa — cerca de 62,9% — está vinculada a operadores especializados (Serviços Aéreos Especializados – SAE), que atendem produtores rurais com serviços de aplicação aérea. Outro segmento importante, com aproximadamente 35,7%, é composto por operadores privados (TPP), onde produtores rurais ou cooperativas possuem e operam suas aeronaves diretamente.
Entre 2023 e 2025, houve migração líquida de aeronaves do modelo privado para o sistema de prestação de serviços, o que analistas interpretam como um reflexo da profissionalização do setor. Esse movimento permite maior escala operacional, cumprimento de exigências regulatórias e melhor desempenho econômico para empresas especializadas.
A modernização da frota também é evidente na adoção de novos modelos e motores, com destaque para aeronaves turboélice estrangeiras que oferecem maior capacidade de carga e eficiência de operação, além do uso crescente de drones para aplicações específicas.
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Distribuição regional: Mato Grosso e o Centro-Oeste em destaque
A distribuição da frota segue a lógica produtiva do agronegócio no Brasil. O Mato Grosso lidera com 803 aeronaves, concentrando cerca de 27,5% da frota nacional, seguido pelo Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320). Juntos, esses estados respondem por mais da metade das aeronaves agrícolas em operação no país.
No contexto do Centro-Oeste, a presença significativa de aeronaves em Goiás reforça o papel da região no agronegócio nacional. O estado se beneficia de áreas extensas de cultivo de soja, milho e algodão — culturas que demandam aplicações aéreas rápidas e eficientes — e impulsiona o uso de tecnologia agrícola para melhorar desempenho de campo e logística de produção.
Esse posicionamento estratégico coloca Goiás e a região Centro-Oeste como polos em crescimento dentro da cadeia produtiva, atraindo investimentos em serviços especializados, manutenção de aeronaves e formação de mão de obra capacitada para atender às demandas do setor.

Tecnologia, sustentabilidade e futuro da aviação do agro
A tecnologia tem sido um fator determinante. Um marco recente foi o registro do primeiro avião agrícola autônomo regulamentado no Brasil, o Pyka Pelican, que representa o início de uma nova fase tecnológica em aplicações aéreas no campo.
Além disso, o uso de aeronaves movidas a biocombustível — como modelos da família Embraer Ipanema, líder de mercado com mais de 1.700 unidades produzidas até 2025 — destaca a busca por soluções mais sustentáveis e eficientes para o setor.
Especialistas projetam que a frota aeroagrícola brasileira continuará crescendo nos próximos anos, com estimativas que apontam para mais de 3,4 mil aeronaves em operação até 2028, impulsionadas pelo aumento da produtividade agrícola, pela adoção de tecnologias verdes e pela expansão da capacidade de serviço prestado.