Goiás pode ganhar fôlego nas exportações após suspensão de parte do tarifaço dos EUA
Decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos reduz impacto sobre carne e indústrias de Goiás; quase metade dos produtos brasileiros pode ficar de fora das sobretaxas
Após as mudanças no regime tarifário dos Estados Unidos (EUA), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou por nota que 46% dos produtos brasileiros exportados ao país devem ser poupados. Além disso, a nova tarifa isonômica de 10% ou 15% pode aumentar a competitividade dos produtos.
Depois da decisão da Suprema Corte dos EUA, que proibiu os tarifaços que o presidente Donald Trump vinha impondo para diversos países, inclusive as taxas de 50% e 40% sobre as exportações brasileiras. Agora, com essa decisão, cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 17,5 bilhões) ficam sem qualquer sobretaxa adicional.
Ainda de acordo com as informações do ministério, outros 25% (US$ 9,3 bilhões) entraram na tarifa global de 10%. O percentual, aplicado com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, pode ser elevado para 15% conforme decisão do governo estadunidense.
Agora para produtos que ainda ficam submetidos às tarifas setoriais previstas na chamada Seção 232, mecanismo aplicado de forma linear a diversos países com base em argumentos de segurança nacional, como no caso do aço e do alumínio, continuam em um regime de 10% a 50%. Esses produtos representam 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões).
Impacto em Goiás
Com os agravamentos das tensões entre Brasil-EUA, no ano passado, as taxas sobre as importações brasileiras chegaram a 50%, porém, com negociações entre os líderes dos países, alguns produtos tiveram taxas reduzidas, em alguns casos para uma alíquota zero, enquanto outros reduziram para 40%.
Dentre esses produtos que zeraram as taxas estavam os produtos provenientes do agronegócio, como carnes, café, açaí, coco, castanhas e outros produtos agrícolas. Com isso, o impacto para Goiás foi reduzido, pois o principal produto exportado para os Estados Unidos é a carne (71,2%), acompanhado dos complexos sucroalcooleiros (14,8%) e produtos de origem animal (6,8%), de acordo com dados da Plataforma Aroeira, elaborada pela Gerência de Inteligência de Mercado Agropecuário, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa).
Para o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Flávio Rassi, a não continuidade do tarifaço representa “um avanço importante para o restabelecimento da previsibilidade nas relações comerciais”. Na visão dele, ainda que a taxa de 10% seja mantida, a expectativa do setor industrial é de recuperação progressiva dos volumes embarcados, recomposição de margens e reativação de contratos anteriormente afetados.
Com isso, o setor industrial, que foi um dos que não foram abarcados pelas reduções das tarifas nas negociações entre Lula e Trump, podem voltar a ter um respiro com a suspensão do tarifaço e, além disso, podem se beneficiar de uma tarifa igualitária global.
Já o agronegócio goiano não se beneficia de forma direta com o fim do tarifaço, uma vez que o dólar comercial apresentou uma queda após a decisão da Suprema Corte estadunidense.
O gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Leonardo Machado, explica que uma oportunidade para Goiás e para o Brasil neste momento é a busca de outros países por produtos brasileiros. “Outros países podem não mais ter os Estados Unidos como referência, uma vez que agora existe uma taxa, e podem buscar outros concorrentes, como no caso da soja brasileira e o milho brasileiro”, diz.
Setor de aeronaves beneficiado
Ainda de acordo com dados do Mdic, as aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico. No último ano, a Embraer fechou com um montante de pedidos de US$ 31,6 bilhões, o maior de toda sua história.
Com essas mudanças na forma de impor as tarifas, as aeronaves exportadas pelo Brasil para os EUA terão alíquota zero, algo que antes não acontecia. A antiga tarifa que caia sobre estes produtos era de 10%.
Leia também:
Goiás investiga cinco casos suspeitos de Mpox