Hillary Clinton cobra depoimento de Trump em caso Epstein
Ex-secretária de Estado defende que Trump deponha sob juramento e acusa republicanos de uso político na investigação
A investigação do Congresso dos Estados Unidos sobre o caso Jeffrey Epstein ganhou novo embate político após a ex-secretária de Estado Hillary Clinton defender, na quinta-feira (26), que o presidente Donald Trump seja chamado a depor “sob juramento”. A declaração foi feita durante audiência do Comitê de Supervisão e Responsabilidade do Governo da Câmara, realizada de forma reservada, em Nova York, onde mantém residência com o ex-presidente Bill Clinton.
Logo na abertura, Hillary afirmou não ter conhecimento sobre o esquema de abuso sexual atribuído a Epstein e à sua cúmplice, Ghislaine Maxwell. Disse ter ficado “horrorizada” com os crimes revelados e criticou o acordo judicial firmado em 2008, que considerou brando e que, segundo ela, permitiu a continuidade das “práticas predatórias por mais uma década”. Ao mesmo tempo, questionou as razões para sua convocação e a do marido, sustentando que o foco do colegiado deveria incluir o atual presidente.
A ex-secretária acusou o comando republicano do comitê, liderado por James Comer, de utilizar a apuração com finalidade política. Para ela, a oitiva do casal democrata ocorre enquanto Trump, que manteve amizade com Epstein no passado, ainda não foi chamado a prestar esclarecimentos formais. “O que está sendo ocultado? Quem está sendo protegido? E por que o acobertamento?”, questionou. Trump nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein.

Ainda, o principal democrata no colegiado, o deputado Robert Garcia, reforçou as críticas à condução do caso. Ele afirmou que o Departamento de Justiça estaria promovendo um “encobrimento da Casa Branca” ao divulgar versões incompletas dos arquivos relacionados ao financista. “O Departamento de Justiça continua a liderar um encobrimento da Casa Branca (…) Vamos colocar o presidente Trump diante do nosso comitê para responder às perguntas que estão sendo feitas em todo o país pelos sobreviventes”, declarou durante a sessão.
As suspeitas se encaixam na reportagem do The New York Times que aponta que registros de uma denúncia de agressão sexual contra Trump não apareceriam nos documentos tornados públicos. Parlamentares com acesso a cópias menos tarjadas afirmam que há divergências entre o material restrito e o que foi divulgado oficialmente. As críticas partem de integrantes dos dois partidos, que mencionam a possibilidade de proteção a figuras influentes.

Casal Clinton não é acusado de nenhum crime
Os nomes de Hillary e Bill Clinton aparecem em registros relacionados ao caso, e o ex-presidente figura em fotografias ao lado de mulheres, mas nenhum dos dois foi acusado de crime. Um porta-voz de Bill Clinton afirmou que ele rompeu relações com Epstein muito antes de as acusações virem à tona. “Eles podem divulgar quantas fotos de mais de 20 anos quiserem, mas isso não é sobre Bill Clinton”, disse Angel Ureña.
As sessões do comitê estão sendo gravadas e transcritas, sem transmissão pública. Antes das oitivas, o casal solicitou que os esclarecimentos ocorressem em audiência aberta. A defesa era de que a publicidade evitaria uso político do caso. Mesmo assim, o comitê manteve o formato reservado.
O ex-presidente afirmou que depor nessas condições seria como enfrentar um “tribunal irregular” e escreveu na rede X: “Chega de jogos; vamos fazê-lo do jeito certo: em uma audiência pública”. Hillary declarou que ambos já haviam informado ao colegiado tudo o que sabem e lançou um desafio: “Se querem essa briga… vamos fazê-la em público”. Bill Clinton presta depoimento nesta sexta-feira (27), como parte da mesma investigação.