O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
CONFLITO

Paquistão declara “guerra aberta” ao Talibã no Afeganistão

Conflito escala após bombardeios aéreos, troca de acusações e lançamento de operação militar que rompe cessar-fogo

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 27 de fevereiro de 2026
paquistão
Foto: Reprodução/ @KhawajaMAsif

O Paquistão declarou “guerra aberta” ao Afeganistão governado pelo Talibã na madrugada desta sexta-feira (27), após uma sequência de ataques na fronteira e bombardeios aéreos que ampliaram um conflito que vinha se intensificando nos últimos meses. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, que afirmou na rede social X que a paciência de Islamabad “se esgotou” e acusou o regime afegão de exportar terrorismo.

A decisão ocorre depois de confrontos registrados na noite de quinta-feira (26) ao longo da fronteira de aproximadamente 2.600 quilômetros que separa os dois países. Cabul informou que suas forças atingiram posições paquistanesas como resposta a bombardeios realizados pelo Paquistão no último domingo (22), que, segundo autoridades afegãs, deixaram ao menos 18 mortos. Vídeos divulgados mostram troca de tiros em área montanhosa da região fronteiriça, com uso de armas e artilharia dos dois lados.

Confrontos Paquistão – Afeganistão

Na madrugada desta sexta-feira, o Paquistão lançou a Operação “Ghazab Lil Haqq” e realizou ataques aéreos contra

paquistão
Cabul (Foto: Olgamielnikiewicz/ Wikimedia Commons)

, Kandahar e a província de Paktia. O Exército paquistanês afirmou ter atingido 22 alvos militares afegãos desde a noite anterior. De acordo com o porta-voz militar Ahmed Sharif Chaudhry, 274 integrantes do que chamou de “autoridades e militantes do regime do Talibã” morreram e 400 ficaram feridos. O governo informou ainda que 12 soldados paquistaneses foram mortos no confronto.

O porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou que a capital afegã e outras cidades foram bombardeadas na quinta-feira, mas disse que não houve feridos nessa ação específica. Cabul apresentou números diferentes sobre as baixas: declarou que 13 soldados afegãos morreram e 22 ficaram feridos. O Talibã afirmou também ter matado 55 militares paquistaneses, capturado outros e destruído 19 postos do país vizinho.

 

Além dos ataques aéreos, o Talibã informou ter utilizado drones contra instalações militares paquistanesas em Islamabad, Nowshera, Jamrud e Abbottabad. O governo de Islamabad declarou que está pronto para “esmagar” o grupo e que a operação está em andamento, advertindo que qualquer nova provocação será respondida.

O confronto encerra o cessar-fogo firmado em outubro de 2025 e marca a primeira vez que o Paquistão mira diretamente as instalações do Talibã desde que o grupo retomou o poder em 2021. A crise é resultado de uma deterioração progressiva das relações entre dois países que já foram aliados próximos. O Paquistão sustenta que o Talibã oferece abrigo ao Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), responsável por atentados em seu território, além de insurgentes da província de Baluchistão. Cabul nega e acusa Islamabad de acolher combatentes do Estado Islâmico, o que também é rejeitado pelo governo paquistanês.

Reação internacional

A escalada mobilizou atores regionais. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que Teerã está pronta para “facilitar o diálogo” entre Islamabad e Cabul e contribuir para a reconstrução do entendimento entre os dois países. A China também pediu moderação e defendeu um cessar-fogo rápido para evitar mais mortes. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chines, Mao Ning, afirmou estar “profundamente preocupada” com a situação.

A Rússia pediu que Afeganistão e Paquistão interrompam os confrontos e retomem o diálogo. A porta-voz Maria Zakharova defendeu que ambas as nações abandonem o confronto e regressem “à mesa de negociações para resolver todas as divergências por meios diplomáticos”.

Leia mais: Mortes de jornalistas batem recorde em 2025, aponta ONG

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também