quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Quebra de Sigilo

Pressão da CPMI do INSS sobe e mira Carlos Lupi

O relator Alfredo Gaspar (União-AL) anunciou que vai pedir a quebra de sigilo bancário do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), citado em delações de ex-dirigentes do INSS sobre o esquema de descontos ilegais em benefícios

Paula Costapor em
CPMI INSS
Lupi teria sido alertado reiteradas vezes sobre o crescimento dos descontos aplicados aos benefícios, mas demorou cerca de um ano para adotar providências administrativas. Crédito: Agência Brasil.

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), anunciou nesta sexta-feira (27), em Brasília, que apresentará pedido de quebra de sigilo bancário do ex-ministro da Previdência e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. A iniciativa ocorre após o nome do pedetista ser mencionado em acordos de delação premiada firmados por ex-dirigentes do instituto e amplia o embate político em torno das investigações que apuram descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Segundo Gaspar, a comissão pretende avançar nas medidas de investigação para aprofundar a apuração sobre a eventual participação de autoridades no esquema. “Vamos trabalhar pela quebra dos sigilos. Vamos pedir a quebra dos sigilos de Lupi”, declarou o parlamentar, reforçando que o colegiado não fará distinções diante de indícios apresentados nos depoimentos.

Carlos Lupi foi citado nas colaborações premiadas de André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho, ex-integrantes da cúpula do INSS. Um dos anexos, de acordo com integrantes da CPMI, aborda a atuação do então ministro da Previdência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no contexto das investigações sobre descontos ilegais aplicados a beneficiários do instituto.

Nos bastidores, integrantes da comissão avaliam que a eventual responsabilização de Lupi pode aumentar a pressão sobre o Palácio do Planalto, especialmente após a sessão da última quinta-feira (26), marcada por forte tensão, que aprovou a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República.

A condução dos trabalhos pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), também se tornou alvo de críticas por parte de ministros do governo. Aliados do Planalto sustentam que houve falha na contabilização de votos e acusam o senador de ter conduzido a deliberação de forma prejudicial à base governista.

Lupi assumiu o Ministério da Previdência em janeiro de 2023, no início do terceiro mandato de Lula (PT), e deixou o cargo em maio de 2025, nove dias após a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da Operação Sem Desconto, que levou à prisão integrantes da alta cúpula do INSS. À época, a atuação do então ministro diante das denúncias foi alvo de desgaste político.

O ex-ministro também mantinha relação próxima com a advogada Tônia Galleti, ex-coordenadora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade ligada à Força Sindical. Conforme investigações, familiares de dirigentes da instituição receberam ao menos R$ 8,2 milhões. Além disso, Lupi teria sido alertado reiteradas vezes sobre o crescimento dos descontos aplicados aos benefícios, mas demorou cerca de um ano para adotar providências administrativas.

Com o novo pedido anunciado pelo relator, a CPMI sinaliza que deve intensificar o cerco político e jurídico sobre personagens centrais do escândalo, ampliando o alcance das apurações e elevando a temperatura do confronto entre oposição e governo no Congresso Nacional.

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Careca do INSS carlos lupi Carlos Viana congresso nacional CPMI do INSS Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

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