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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
trabalho, saúde e finanças

Cuidar custa metade da renda das mães no país

Estudo com 1.158 responsáveis por jovens com transtornos mentais revela impacto indireto persistente no trabalho, na saúde e nas finanças familiares

Luana Avelarpor Luana Avelar em 27 de fevereiro de 2026
renda
Foto: iStock

O cuidado de jovens com transtornos mentais impõe um custo que não aparece nas contas do sistema de saúde, mas se reflete de forma direta no orçamento doméstico. Estudo conduzido com 1.158 cuidadores de pessoas entre 14 e 23 anos estimou que o impacto econômico indireto da assistência equivale, em média, à metade da renda mensal desses responsáveis. Entre os participantes, 94,2% eram mães. O resultado se repetiu em todos os níveis socioeconômicos analisados.

A pesquisa acompanhou integrantes da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais, conhecida como Conexão Mentes do Futuro, vinculada ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental, um dos Centros de Pesquisa Aplicada da FAPESP, sediado na Universidade de São Paulo, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Impacto além das despesas médicas

Quase 40% das famílias, o equivalente a 458 participantes, relataram prejuízos econômicos indiretos associados à condição de saúde mental do jovem sob seus cuidados. O levantamento considerou gastos pessoais dos pais ou cuidadores e despesas relacionadas ao uso de serviços de saúde por esses adultos, excluindo os custos médicos diretos dos filhos.

Entraram no cálculo perdas de produtividade no trabalho, ausências frequentes, redução da carga horária e diminuição do tempo dedicado a tarefas domésticas ao longo de seis meses. Também foram incluídas despesas do próprio bolso, como transporte para consultas e atendimentos especializados.

Um dos aspectos centrais do estudo é a mensuração do custo associado a transtornos mentais comuns, como ansiedade, depressão e transtornos do comportamento. A literatura costuma concentrar-se em condições de maior complexidade, mas os dados indicam que quadros prevalentes também produzem impacto expressivo.

Mesmo em casos considerados frequentes, o cuidado compromete o desenvolvimento ocupacional, a saúde das mães e suas finanças em proporção equivalente a metade do salário mensal.

Pressão contínua sobre as famílias

O peso econômico mostrou-se transversal às classes sociais. Independentemente da renda, a proporção comprometida pelo custo indireto manteve-se elevada. O dado indica que a vulnerabilidade não se limita a famílias de baixa renda, embora nelas o efeito possa ser mais desestabilizador.

Os pesquisadores defendem políticas que ofereçam apoio financeiro ou logístico aos cuidadores, sobretudo mulheres. Entre as sugestões estão programas que considerem a família como unidade de cuidado e estratégias voltadas à redução do peso econômico, com foco no bem-estar dos responsáveis e dos jovens.

Ao quantificar um ônus que costuma permanecer invisível, o estudo desloca o debate sobre saúde mental juvenil para além do diagnóstico clínico. O cuidado, concentrado nas mães, reorganiza rotinas, restringe trajetórias profissionais e compromete renda de forma persistente.

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