sábado, 7 de novembro de 2026
Eleições 2026

Possível aliança entre PT e MDB pode alterar cenário de 2º turno em Goiás

Planalto quer emedebistas na vice e conjuntura pode influenciar em eventual segundo turno na corrida pelo governo estadual

Thiago Borgespor em
Possível aliança entre PT e MDB pode alterar cenário de 2º turno em Goiás
Uma união de emedebistas e petistas traria reflexo nas disputas locais do País | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Uma aliança entre o PT e o MDB na chapa para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é discutida há tempos nos bastidores da política em Brasília. O acordo, defendido por parte da cúpula do Palácio do Planalto e pelos diretórios emedebistas no Nordeste, envolveria a indicação de um nome do MDB para a vice de Lula e poderia refletir na relação entre os partidos ao redor do País, inclusive em Goiás. 

As eleições presidenciais de 2026 caminham novamente para uma polarização entre Lula e o bolsonarismo, dessa vez representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A tese defendida por parte da cúpula do Palácio do Planalto é que, com o cenário posto, o PT deve buscar o arco de alianças mais robusto possível com partidos de centro. O MDB tem a preferência dos petistas. 

A hipótese foi defendida pelo ministro da Educação (MEC), Camilo Santana, em entrevista à Folha de S.Paulo. Santana elogiou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), porém explicou que vê necessidade na aliança em meio ao cenário polarizado.

“Não há candidato melhor que a manutenção do vice. Porém, o País está muito polarizado. Quanto mais ampliar o arco de alianças, melhor”, disse. Na conversa, o ministro ainda citou o governador do Pará, Helder Barbalho; o ministro de Transportes, Renan Filho; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, como possíveis nomes do MDB para a vice de Lula. 

Leia mais: Daniel inaugura rodovias no Sudoeste goiano e fala sobre o fim do Fundeinfra

Cenário estadual

Uma união de emedebistas e petistas traria reflexo nas disputas locais do País. Em Goiás, uma aliança no âmbito nacional poderia desencadear em um cenário ainda não explorado no segundo turno. Com a pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) para o Governo de Goiás firmada, o atual desenho indica que um embate mano a mano entre o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o parlamentar é possível e, para alguns, até provável. 

Apesar de figurar em terceiro nas pesquisas eleitorais mais recentes, atrás de Daniel e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o histórico recente de eleições em Goiás mostra que os candidatos apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) costumam surpreender. A exemplo disso, Wilder foi eleito para o Senado Federal em 2022 após figurar em terceiro na maioria das pesquisas feitas no Estado. 

Outra disputa que corrobora a tese foi a corrida pela Prefeitura de Goiânia em 2024. O ex-deputado estadual Fred Rodrigues (PL) liderou o primeiro turno com 31% dos votos após ficar atrás do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e da deputada federal Adriana Accorsi (PT) nas principais pesquisas de intenção de voto feitas na Capital. Rodrigues aparecia costumeiramente empatado tecnicamente na terceira posição com o senador Vanderlan Cardoso (PSD). 

No segundo turno da disputa pelo Executivo da capital goianiense, o PT fez uma campanha anti-Fred, que serviu como um apoio velado a Mabel, que viria a vencer as eleições. Em nota na época, os petistas afirmaram que o voto nulo, em branco ou abstenção representariam “injustificável omissão política” e que o “dever cívico e democrático” era o de “derrotar a extrema direita”. Não seria surpresa a postura do partido se repetir em um eventual segundo turno entre Daniel e Wilder na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. 

Resistência ao PT fora do Nordeste 

Apesar de alas do MDB, sobretudo os diretórios nordestinos, apoiarem a aliança do partido com Lula, a maioria das repartições estaduais da legenda segue contrária ao acordo com os petistas, inclusive os emedebistas goianos. Em São Paulo, por exemplo, a aliança com o PT prejudicaria o partido na disputa pela vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A articulação em solo paulista é conduzida pelo presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP).

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