Com bloqueios na GO-020, Goiânia monta operação para receber o MotoGP
A menos de 20 dias das corridas do MotoGP no Autódromo Internacional Ayrton Senna, Capital adota modelo “Park & Ride”
A contagem regressiva para o retorno do Mundial de Motovelocidade (MotoGP) ao Brasil entrou em sua fase mais decisiva. A menos de 20 dias do início das atividades no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, a Capital se prepara para uma transformação logística sem precedentes em sua história recente. Se em um primeiro momento o debate esteve concentrado nos números de impacto econômico, agora o foco das autoridades se volta ao maior desafio prático do evento: como organizar o deslocamento de até 200 mil pessoas em uma cidade que terá seu principal eixo de acesso, a GO-020, sob um rígido regime de restrição.
Para quem planeja ir ao MotoGP de carro, a orientação é direta: o veículo particular não chegará aos portões do autódromo. O governo estadual e a prefeitura adotaram o modelo “Park & Ride” (estacione e siga), estratégia comum em grandes eventos internacionais, mas que exigirá mudança de hábito significativa do público goianiense.
Entre as 5h e às 19h, durante os três dias de programação do MotoGP, de 20 a 22 de março, o tráfego na GO-020, no trecho entre o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) e o autódromo, será exclusivo para ônibus do transporte coletivo, motocicletas com estacionamento garantido e veículos de autoridades. Carros de passeio, caminhonetes e até veículos de transporte por aplicativo, como Uber e 99, serão barrados em bloqueios estratégicos, instalados no viaduto com a BR-153 e nas proximidades do condomínio Portal do Sol.
O coração da mobilidade do MotoGP será a frota de ônibus especiais. O planejamento prevê que o deslocamento final de praticamente todos os espectadores, com exceção dos motociclistas, seja feito por meio de linhas exclusivas criadas para o MotoGP. Haverá saídas diretas dos terminais Paulo Garcia, Praça da Bíblia e Isidória, que funcionarão como pontos estratégicos para quem já utiliza o transporte coletivo ou pretende deixar o carro em outras regiões da cidade e seguir de ônibus até o autódromo.
Para quem optar por ir ao MotoGP de carro até as imediações, a viagem terminará em quatro bolsões oficiais de estacionamento. O Estádio Serra Dourada, com 4,6 mil vagas, será o maior deles, voltado ao público em geral. O Centro Cultural Oscar Niemeyer contará com mais de 4,4 mil vagas, internas e externas, destinadas prioritariamente à imprensa e às áreas VIP. A Unip oferecerá 3 mil vagas em estacionamento particular, enquanto o Shopping Flamboyant disponibilizará 1,2 mil vagas como estacionamento oficial de apoio. Em todos esses pontos, o embarque nos ônibus de traslado será imediato.
Já quem optar ir ao MotoGP por transporte individual por aplicativo ou táxi terá como ponto final o Paço Municipal, a cerca de 8 quilômetros do autódromo. Dali, os passageiros deverão embarcar nas linhas especiais para completar o trajeto. Esses veículos não terão acesso aos bolsões de estacionamento para desembarque.
A tecnologia de acesso aos ônibus ainda está em fase final de definição, mas a tendência, segundo a Secretaria-Geral de Governo, é que o transporte seja gratuito para quem apresentar ingresso ou credencial do MotoGP. A gratuidade, no entanto, não se estenderá a moradores da região sem vínculo com o MotoGP Para o traslado interno e a conexão entre estacionamentos, a estimativa é de utilização de cerca de 250 veículos dedicados à operação.

Operação especial reorganiza Capital em 3 zonas durante o MotoGP
A logística criou uma divisão clara da cidade em três áreas de impacto. A Área 1, que engloba bairros como Jardim Goiás, Alto da Glória e Parque das Laranjeiras, concentra a maior preocupação, sobretudo entre moradores do entorno do autódromo. Para evitar que a vizinhança fique isolada, foi elaborado um plano de acesso diferenciado. Condomínios ao longo da GO-020, como Portal do Sol 1 e 2, não poderão acessar a rodovia diretamente nos horários de bloqueio. O trajeto será feito por desvio a partir da Avenida Olinda, seguindo pela Avenida Santa Bárbara.
Identificações específicas serão distribuídas aos moradores para permitir a circulação nas vias internas e a liberação em bloqueios como o cruzamento da Avenida Gameleiras com a Avenida Mambaí. Ainda assim, o momento mais sensível, segundo o secretário Adriano da Rocha Lima, será a dispersão após as corridas, quando cerca de 60 mil pessoas devem deixar a região simultaneamente.
Enquanto a Área 2, que inclui Marista, Oeste e Centro, funcionará como polo gastronômico e de hospedagem, e a Área 3, formada por bairros como Bueno, Bela Vista e Jardim América, receberá eventos paralelos, a rotina de quem trabalha ou vive próximo aos bolsões também será impactada. No Shopping Flamboyant e no Shopping Bougainville, a sinalização já começa a ser adaptada com legendas em inglês para atender o público internacional.
A prefeitura montou ainda uma força-tarefa de zeladoria e segurança. A Guarda Civil Metropolitana atuará com 18 unidades operacionais e reforço de patrulhamento em sete áreas durante todo o mês de março. Mais de 200 estudantes voluntários do programa Probem/OVG prestarão atendimento bilíngue, em inglês e espanhol, nos Centros de Atendimento ao Turista e nos principais pontos de circulação.
Como os ingressos se esgotaram em 24 horas, a prefeitura decidiu ampliar o acesso à experiência doMotoGP. Telões com transmissão ao vivo das provas serão instalados nos parques Areião, Cascavel, Leolídio di Ramos Caiado, Bernardo Élis e Nova Esperança, acompanhados de apresentações culturais. A programação prévia inclui o “Motocão”, em 1º de março, na Praça Tamandaré; o “MotoMulher”, em 8 de março, no Shopping Cerrado; e um encontro de motociclistas em 14 de março, no Parque Leolídio di Ramos Caiado.
Com as obras do autódromo 90% concluídas e os ajustes finais em banheiros e arquibancadas móveis em andamento, Goiânia entra na reta final para demonstrar que sua infraestrutura comporta o MotoGP de escala global. Mais do que o espetáculo nas pistas, o sucesso da operação de transporte e o respeito aos desvios destinados aos moradores serão os verdadeiros termômetros para avaliar se a Capital está preparada para os cinco anos de contrato já garantidos com a principal categoria do motociclismo mundial.