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segunda-feira, 2 de março de 2026
JUSTIÇA FAMILIAR

STJ muda entendimento sobre pensão alimentícia e veta percentuais automáticos

Decisão determina que o valor da pensão alimentícia deve ser definido caso a caso, levando em conta a real capacidade financeira de quem paga e as necessidades efetivas de quem recebe, afastando critérios padronizados usados até agora.

Luma Silveirapor Luma Silveira em 2 de março de 2026
STJ muda entendimento sobre pensão alimentícia e veta percentuais automáticos
O valor da pensão deve observar o binômio necessidade | Foto: Canva

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou um novo entendimento que altera de forma significativa as regras para a fixação da pensão alimentícia no Brasil. A Corte definiu que não é válida a aplicação de percentuais automáticos sobre a renda do alimentante, exigindo do Judiciário uma análise individualizada de cada situação familiar.

Segundo a decisão, o valor da pensão deve observar o binômio necessidade–possibilidade, avaliando de forma concreta a capacidade econômica de quem paga e as demandas reais de quem recebe. O tribunal também reforçou que a obrigação alimentar não é definitiva e pode ser revista sempre que houver mudança comprovada na condição financeira das partes.

O STJ reconheceu que a realidade econômica das famílias é dinâmica. Situações como desemprego, redução salarial, informalidade, novos filhos e aumento do custo de vida impactam diretamente a possibilidade de cumprimento da obrigação alimentar. Com isso, a Corte orienta que juízes deixem de aplicar fórmulas genéricas e passem a considerar o contexto atual de cada família.

STJ determina que proteção aos dependentes permanece

Apesar da mudança, o tribunal deixou claro que a proteção de crianças e dependentes continua sendo prioridade. O objetivo da nova orientação é evitar distorções que tornem a pensão inviável, gerando inadimplência recorrente e disputas judiciais prolongadas.

Para o professor e advogado Eder Araujo, a decisão fortalece a efetividade do Direito de Família. “Quando a pensão é fixada sem considerar a realidade financeira de quem paga, o resultado costuma ser o descumprimento. O STJ reforça que o valor precisa ser possível e proporcional para cumprir sua função social”, afirma.

STJ muda entendimento sobre pensão alimentícia e veta percentuais automáticos
O valor da pensão deve observar o binômio necessidade | Foto: Canva

O STJ também destacou que pedidos de revisão da pensão alimentícia devem ser fundamentados em provas objetivas, como alteração de renda, perda de emprego ou mudança relevante na estrutura familiar. Decisões baseadas apenas em parâmetros fixos, sem análise da realidade econômica, tendem a ser afastadas.

A consolidação desse entendimento deve influenciar julgamentos em todo o país, especialmente em um cenário de instabilidade econômica e crescimento da informalidade. Ao colocar a vida concreta das famílias no centro das decisões, o STJ busca reduzir conflitos, dar mais segurança jurídica e tornar o cumprimento da pensão alimentícia mais sustentável.

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