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quarta-feira, 4 de março de 2026
emergências psiquiátricas

Suspender antidepressivos na gravidez amplia riscos

Estudo indica que interromper antidepressivos no início da gestação pode aumentar emergências psiquiátricas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 4 de março de 2026
antidepressivos
Foto: iStock

A interrupção do uso de antidepressivos no início da gravidez, decisão muitas vezes motivada pelo receio de efeitos sobre o bebê, pode elevar de forma significativa o risco de desestabilização psíquica da gestante. Pesquisa apresentada no congresso anual da Society for Maternal-Fetal Medicine analisou dados de mais de 1.400 mulheres diagnosticadas previamente com ansiedade ou depressão que utilizavam antidepressivos antes de engravidar.

Os resultados indicaram que aquelas que suspenderam o tratamento tiveram quase o dobro de probabilidade de enfrentar emergências psiquiátricas em comparação às gestantes que mantiveram o uso dos medicamentos. O levantamento reforça um debate recorrente na obstetrícia e na psiquiatria: a avaliação de riscos não deve considerar apenas possíveis efeitos dos antidepressivos sobre o feto, mas também as consequências clínicas da doença não tratada.

Antidepressivos e saúde mental na gestação

Estimativas apontam que até 20% das gestantes apresentam sintomas depressivos durante a gravidez. Quando não acompanhada de forma adequada, a condição pode estar associada a complicações obstétricas, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia.

Quadros depressivos também podem comprometer o autocuidado e a adesão ao acompanhamento médico. Nesse contexto, especialistas destacam que a decisão sobre o uso de antidepressivos precisa considerar o histórico clínico da paciente e a gravidade dos episódios anteriores.

Entre os medicamentos mais estudados durante o período perinatal estão os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Dados observacionais acumulados nas últimas décadas indicam que esses antidepressivos apresentam, de modo geral, perfil de segurança considerado aceitável, embora possam ocorrer efeitos neonatais transitórios e complicações raras.

Decisão deve ser individualizada

Entidades médicas como o American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam que decisões sobre manter, ajustar ou suspender antidepressivos sejam individualizadas. A orientação inclui análise do histórico clínico, da resposta ao tratamento e da intensidade dos sintomas.

Em casos de depressão moderada a grave, a retirada abrupta da medicação pode aumentar significativamente o risco de recaída. Por esse motivo, especialistas defendem acompanhamento conjunto entre obstetra e psiquiatra durante a gestação.

Segundo médicos que atuam na área, a estabilidade emocional da gestante faz parte do cuidado pré-natal e influencia diretamente o desfecho da gravidez. O equilíbrio entre proteção fetal e saúde mental materna permanece como eixo central das recomendações clínicas sobre o uso de antidepressivos durante a gestação.

Leia mais: Mindfulness se mostra tão eficaz quanto antidepressivo
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