sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Banco Master

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes”: mensagens explicam nova prisão de Vorcaro

Preso nesta quarta (4), pela Polícia Federal, dono do Banco Master pediu a funcionário que forjasse um roubo, com o objetivo de agredir violentamente o jornalista Lauro Jardim

Paula Costapor em
Banco Master
“Quebrar todos os dentes num assalto.” A frase atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro contra o jornalista Lauro Jardim expõe o nível de gravidade revelado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

A Polícia Federal prendeu novamente, na manhã desta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do liquidado Banco Master, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após novas evidências apontarem que o empresário teria organizado um esquema de intimidação contra críticos, incluindo um plano para simular um assalto com o objetivo de agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN.

De acordo com a decisão judicial, cujo sigilo foi levantado ainda pela manhã, as investigações da Polícia Federal identificaram indícios de que Vorcaro mantinha uma estrutura paralela de vigilância e coerção destinada a monitorar adversários, ex-funcionários e jornalistas que publicavam reportagens consideradas prejudiciais aos interesses do grupo financeiro ligado ao Banco Master.

Conversas interceptadas pelos investigadores revelam que o banqueiro teria solicitado a um colaborador identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, que acompanhasse e levantasse informações sobre o jornalista Lauro Jardim. Em uma das mensagens analisadas pela PF, Vorcaro afirma: “Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

Banco Master
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do STF, o objetivo seria intimidar e “calar a voz da imprensa” que publicasse informações contrárias aos interesses do empresário. Crédito: Reprodução/ Redes Sociais.

Segundo os investigadores, Mourão teria atuado no monitoramento de pessoas consideradas adversárias do banqueiro. Em diálogo obtido pela Polícia Federal, Vorcaro orienta que o jornalista fosse seguido para que fossem coletadas informações pessoais que pudessem ser utilizadas contra ele.

Na decisão que autorizou a nova prisão, o ministro André Mendonça afirma que os diálogos revelam “fortes indícios” de que o empresário determinou a simulação de um assalto ou situação semelhante com o objetivo de provocar agressão física ao jornalista e intimidar a cobertura jornalística sobre o caso.

“A partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou que fosse forjado um assalto, ou cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, escreveu o ministro na decisão.

As investigações também apontam que o grupo ligado ao banqueiro, denominado internamente de “A Turma”, seria responsável por obter informações sensíveis de pessoas consideradas estratégicas, incluindo autoridades, concorrentes empresariais, ex-empregados e profissionais da imprensa. Segundo Mendonça, o esquema funcionaria como uma estrutura organizada de vigilância e pressão, com o objetivo de intimidar críticos e interferir nas investigações.

Outro ponto destacado no despacho judicial é a suspeita de interlocução frequente entre Vorcaro e servidores do Banco Central responsáveis pela supervisão da instituição financeira. Conforme os documentos reunidos pela Polícia Federal, o banqueiro teria discutido estratégias relacionadas à situação regulatória do banco e solicitado orientações sobre reuniões institucionais e elaboração de documentos destinados ao órgão regulador.

O jornalista Lauro Jardim comentou o caso durante participação na rádio CBN nesta quarta-feira. Segundo ele, o plano revelado nas mensagens incluía monitoramento e tentativa de coleta de informações pessoais antes da simulação do assalto.

“A ideia explicitada ali nessa troca de mensagens era primeiro me monitorar, me seguir, descobrir coisas ruins contra mim. Em segundo lugar, simular um assalto e, segundo o próprio Vorcaro, quebrar meus dentes”, afirmou o jornalista.

Em nota oficial, o jornal O Globo repudiou as ameaças e classificou a iniciativa como um ataque à liberdade de imprensa. O veículo afirmou que a ação, conforme apontado pelo ministro André Mendonça, tinha como objetivo “calar a voz da imprensa”, ressaltando que continuará acompanhando o caso e divulgando informações de interesse público.

A Polícia Federal segue investigando o funcionamento do suposto grupo de intimidação e a eventual participação de outros envolvidos nas ações atribuídas ao banqueiro. As apurações também buscam esclarecer o alcance das comunicações com autoridades do sistema financeiro e possíveis tentativas de obstrução das investigações relacionadas ao Banco Master.

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