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quarta-feira, 4 de março de 2026
percepção social

Obesidade ainda é vista como escolha pessoal, aponta pesquisa

Estudo indica que percepção social ignora fatores biológicos e ambientais da doença

Luana Avelarpor Luana Avelar em 4 de março de 2026
Obesidade
Foto: freepik

Uma pesquisa internacional divulgada no Dia Mundial da Obesidade revelou que a obesidade ainda é interpretada por grande parte da população como resultado exclusivo de decisões individuais. O levantamento, realizado pelo instituto Ipsos com 14.500 participantes em 14 países, mostra que 66% das pessoas que vivem com a doença acreditam que ela poderia ser evitada apenas por meio de escolhas pessoais.

Apesar de a obesidade ser classificada como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muitos entrevistados ainda atribuem o problema apenas à alimentação inadequada e à falta de atividade física. No estudo, 63% afirmaram que dieta e exercícios seriam suficientes para resolver a condição na maioria dos casos.

Obesidade envolve fatores além do estilo de vida

A percepção pública contrasta com a definição apresentada pelo Atlas Mundial da Obesidade 2026, elaborado pela Federação Mundial de Obesidade. O documento descreve a obesidade como uma doença multifatorial, influenciada por aspectos biológicos, genéticos, ambientais e sociais.

De acordo com o relatório, o ambiente em que as pessoas vivem, trabalham e estudam pode influenciar diretamente o risco de desenvolver obesidade. Condições ainda durante a gestação e nos primeiros meses de vida também podem impactar a probabilidade de desenvolver a doença ao longo da vida.

Impactos da obesidade na saúde e na sociedade

A pesquisa indica que a compreensão dos riscos associados à doença ainda é desigual. Entre os participantes, 53% relacionaram obesidade ao diabetes tipo 2 e 52% às doenças cardiovasculares. A associação com alguns tipos de câncer, porém, foi reconhecida por apenas 18% dos entrevistados.

No Brasil, o cenário reforça a dimensão do problema. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 60% da população está acima do peso e cerca de 25% já apresenta obesidade. Projeções do IBGE indicam que esse percentual pode chegar próximo de 30% entre adultos até 2030.

Além das complicações físicas, o levantamento também aponta efeitos relevantes na saúde mental. Entre os participantes, 35% relataram sentir julgamento pela aparência e o mesmo percentual afirmou experimentar vergonha ou desconforto em relação ao próprio corpo. Outros 36% disseram sentir ansiedade ao imaginar como são percebidos socialmente.

A ideia de que a doença depende apenas de força de vontade pode reforçar estigmas e dificultar a busca por tratamento adequado. Nesse contexto, compreender a obesidade como condição médica complexa é considerado um passo essencial para ampliar o acesso ao cuidado e reduzir preconceitos associados ao peso corporal.

Leia mais: Obesidade mais que dobra entre adultos no Brasil em duas décadas

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