Empreendedorismo feminino ganha força e impulsiona economia em Goiás
Somente em 2026, Goiás abriu mais de 40 mil empresas, das quais 15,1 mil possuem mulheres no quadro societário. Crescimento da presença feminina no empreendedorismo, conta com avanço da formalização e consolidação de negócios
O empreendedorismo feminino avança em Goiás e se consolida como uma das forças que impulsionam a economia do Estado. Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) mostram que, apenas em 2026, mais de 40 mil empresas foram abertas. Desse total, 15.161 possuem mulheres no quadro societário, o que representa 37,5% das novas empresas registradas.
O crescimento acompanha uma tendência observada nos últimos anos. De acordo com levantamento do Sebrae Goiás, o Estado possui aproximadamente 363,9 mil mulheres donas de negócio, número que corresponde a 34,47% do total de empreendedores goianos. Na prática, mais de uma em cada três empresas em atividade tem liderança feminina.
A presença das mulheres no ambiente empresarial também se destaca pela consistência dos negócios. Para o presidente da Juceg, Euclides Barbo Siqueira, a atuação feminina contribui para a estabilidade das empresas no Estado. Segundo ele, os números reforçam uma característica recorrente no perfil empreendedor feminino. “A empreendedora se dedica ao seu negócio e as mulheres são responsáveis pela maior parte das empresas sólidas, ou seja, aquelas que não fecham as portas em curto espaço de tempo”, afirma.
Grande parte desse movimento ocorre na base da economia. Entre as empresas abertas em 2026 com participação feminina, 13.234 são microempreendedoras individuais. No total, Goiás registrou a abertura de 40.375 empresas neste ano, sendo 31.790 enquadradas como MEI.
Somente em fevereiro, foram registrados 13.675 novos microempreendedores individuais e 4.176 empresas de pequeno, médio e grande porte. O levantamento também aponta que 349 dessas empresas iniciaram atividades com capital social superior a R$ 500 mil, o que representa investimento inicial bruto de R$ 1,31 bilhão. Considerando apenas empresas que não são MEI, o capital investido no Estado chega a R$ 1,8 bilhão em 2026.
Atualmente, Goiás conta com 1.295.561 empresas ativas. Desse total, 680.635 são microempreendedores individuais e 614.966 pertencem a outros portes empresariais. Goiânia concentra pouco mais de 30% dessas empresas, seguida por Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde e Valparaíso, municípios que figuram entre os principais polos de atividade econômica.
Empreendedorismo feminino como protagonismo
O protagonismo feminino aparece com destaque em setores ligados aos serviços pessoais, especialmente nas áreas de estética, beleza e bem-estar. Embora historicamente associados ao trabalho informal, esses segmentos passam por um processo de profissionalização e estruturação empresarial.
Na Capital, empresárias que atuam nesse mercado observam mudanças importantes no comportamento das consumidoras. A empresária Karol Gama, responsável por uma clínica de estética facial em Goiânia, avalia que o perfil do público tornou-se mais exigente e informado.
Segundo ela, as clientes passaram a buscar informações sobre protocolos, ativos utilizados e resultados a longo prazo. Essa mudança ampliou a necessidade de estrutura técnica, gestão organizada e planejamento financeiro, fatores que impulsionam a profissionalização do setor.
No segmento de cuidados com as unhas, a empresária Débora Menino também percebe uma transformação no mercado. À frente de uma esmalteria especializada, ela destaca que o serviço deixou de ser visto apenas como procedimento estético e passou a incorporar padrões técnicos e sanitários mais rigorosos.
De acordo com Débora, a fidelização das clientes e a qualidade do atendimento tornaram-se elementos centrais para a sustentabilidade do negócio. O modelo de atuação baseado em recorrência e relacionamento contribui para garantir previsibilidade financeira e estabilidade da empresa.
Outro exemplo desse novo perfil empreendedor aparece na trajetória de Júlia Galvão, fundadora de uma marca de vestuário criada em Goiânia e hoje presente no ambiente digital em escala nacional. A empresa surgiu com investimento inicial modesto, mas apostou desde o início na construção de marca e relacionamento com as consumidoras.
A estratégia integrou produto, comunicação e comunidade como pilares de crescimento. O ambiente digital tornou-se espaço de diálogo constante com o público, o que permitiu a expansão do negócio sem perder proximidade com as clientes.
Esse conjunto de iniciativas reflete uma mudança estrutural no empreendedorismo feminino em Goiás. De pequenos negócios a empresas em expansão, mulheres ampliam presença em diferentes segmentos da economia e contribuem para a geração de renda, inovação e desenvolvimento regional.
Os números indicam que o fenômeno vai além de uma tendência passageira. Com maior acesso à formalização, informação e qualificação profissional, o empreendedorismo feminino se consolida como um dos motores do crescimento econômico no Estado.