Trump diz que é “inaceitável” filho de Khamenei na sucessão do Irã
Presidente dos EUA diz que filho de Khamenei é um “peso morto” e afirma que quer participar da escolha do novo líder
O confronto entre Irã, Estados Unidos e Israel entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5) em meio ao avanço das operações militares e à abertura de uma disputa política sobre o futuro da liderança iraniana. A morte do aiatolá Ali Khamenei, atingido em um ataque conduzido no sábado (28), por forças do Governo Trump e de Tel Aviv, levou à formação de um comando provisório no país e iniciou discussões sobre quem ocupará o posto de líder supremo.
Em meio a esse cenário, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende se envolver no processo de escolha do novo dirigente iraniano. Em entrevista ao site Axios, o republicano declarou que não aceita a possibilidade de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto, assumir o cargo.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação, como fiz com Delcy [Rodriguez] na Venezuela”, afirmou.
Trump também declarou que não aceitaria um líder iraniano que desse continuidade às políticas adotadas por Ali Khamenei. Segundo ele, a permanência da atual orientação política poderia levar os Estados Unidos a voltarem a um confronto militar com o Irã no futuro. O presidente afirmou que um cenário desse tipo poderia levar Washington a retornar à guerra “em cinco anos”.
Papel do governo Trump no cenário político iraniano
As declarações ocorrem em meio às discussões dentro do governo norte-americano sobre qual papel o país poderia desempenhar no cenário político iraniano após a campanha militar. Na quarta-feira (4), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que relatórios recebidos por Washington indicam Mojtaba Khamenei como o principal nome citado para suceder o pai no comando do país.
Segundo Leavitt, Donald Trump e seus assessores avaliam diferentes cenários sobre a sucessão e discutem possíveis caminhos para a reorganização política do Irã após os ataques militares realizados nos últimos dias.
Desde a morte de Ali Khamenei, o comando do país passou provisoriamente a um conselho de liderança. O grupo reúne o aiatolá Alireza Arafi, representante do Conselho dos Guardiões, além do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. O colegiado exerce temporariamente funções que antes eram concentradas no líder supremo.

Funeral de Ali Khamenei
Enquanto a sucessão é debatida, o país também organiza as cerimônias de despedida do aiatolá. O funeral de Ali Khamenei, que estava previsto para começar na noite de quarta-feira em Teerã, foi adiado poucas horas antes do início.
De acordo com a agência iraniana PressTV, a despedida pública ocorreria na mesquita Grand Mosalla, mas a organização decidiu alterar o cronograma diante do grande número de pessoas que se deslocavam para o local. Em comunicado divulgado pela agência Tasnim, o Conselho Islâmico para a Coordenação do Desenvolvimento informou que a mudança ocorreu por causa da “demanda esmagadora” de participantes.

A discussão política ocorre paralelamente à intensificação do conflito na região. Segundo a agência estatal iraniana IRNA, ataques realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel já deixaram ao menos 1.230 mortos no território iraniano desde o início das ofensivas no fim de semana.
A guerra também ampliou as tensões em outros pontos do Oriente Médio. Autoridades relataram ataques, explosões e ações de retaliação envolvendo países vizinhos e áreas do Golfo Pérsico, ampliando a instabilidade regional enquanto a sucessão política no Irã permanece indefinida.