sexta-feira, 9 de outubro de 2026
OPINIÃO

Excesso de candidatos pode eleger senador com votação de deputados

Quantidade que vai consagrar o vencedor pode até ser menor se o PL insistir em lançar apenas um candidato, pois deve aumentar bastante o número de votos nulos, como o dos válidos, que tem crescido inversamente proporcional ao dos eleitos

Nilson Gomespor em
candidatos ( essa foto é o senado)
Contribui para a meta atual a expectativa de ao menos dez candidatos competitivos Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A jornalista Silvye Alves (União Brasil) foi eleita deputada federal com 254.653 votos. Não está pré-candidata ao Senado, uma exceção na maré de senatoriáveis, mas se for mantida a estatística pode ganhar para senadora se tiver o dobro neste ano. É o fenômeno Benjamin Button – em 2010, 2.158.812 eleitores digitaram o número de Demóstenes Torres; em 2022, Wilder Morais precisou de apenas 799.022 para se eleger senador. Olha o Button: há 16 anos, foram 3.022.567 votos válidos; na eleição passada, subiram para 3.487.856; em ambas, houve nove concorrentes.

Contribui para a meta atual a expectativa de ao menos dez candidatos competitivos, meia dúzia junto com Daniel Vilela (MDB), no mínimo dois com Wilder Morais (PL) e outros dois com Marconi Perillo (PSDB). A esquerda ainda não apresentou suas alternativas, mas reserva as boas de urna para a Câmara dos Deputados, o máximo a que chegou foi com os 298.589 votos de Marina Sant’Anna em 2014, ainda assim longe do vencedor, Ronaldo Caiado, 1.283.665. Seria um desperdício para o PT sacrificar Delúbio Soares, Adriana Accorsi, Rubens Otoni ou Edward Madureira com aventura para o Senado se há possibilidade de tê-los na concha ao lado.

Vai contando o número de candidatos

Porém, existe um porém: contudo, já que o teto pode ser de meio milhão de votos, o quarteto petista pode se animar. Aliás, as diversas correntes ideológicas perderam o medo de disputar o Senado. As alternativas na ala governista começam com o casal nº 1, o governador Ronaldo Caiado (ainda no União Brasil) e a primeira-dama Gracinha Caiado (UB). Vai contando…

Outros dois já foram confirmados, Zacharias Calil (agora no MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD). Quatro. Vai contando… É provável que a chapa de Daniel conte ainda com Alexandre Baldy (PP) e Gustavo Mendanha (ainda no PSD). Wilder tem dois, Gustavo Gayer e Vitor Hugo. Marconi ainda não mostrou os seus, mas como está bem nas pesquisas é de se esperar que ao menos dois devem acompanhá-lo na chapa majoritária. Contou? Ainda faltam os dois do PT e os representantes dos nanicos (com menos de 5%, foram cinco em 2010, quatro em 2014, sete em 2018, três em 2022).

Iris perdeu para senador com diferença de vereador

Os pleitos têm sido bastante disputados. A última vez que alguém disparou à frente foi em 2010, quando a diferença de Demóstenes para a 2ª colocada, Lúcia Vânia, alcançou 662.253 (daria para eleger um senador em 2026). Em 2014, Ronaldo Caiado ganhou de Vilmar Rocha com 211.169 de frente. Em 2018, Vanderlan tirou 172.222 a mais que Jorge Kajuru. Em 2022, Wilder superou Waldir Soares por 173.360. Nenhum passou tão perto quanto Iris Rezende de Lúcia Vânia em 2002: ela ganhou por 9.531, menor que votação de vereador em Goiânia – os dois senatoriáveis da Câmara da Capital neste ano tiveram mais, bem mais: Vitor Hugo, 15.678; Edward, 13.573. Então, mesmo que as pesquisas estejam adversas, a oportunidade está passando à porta.

Os levantamentos dos institutos têm sido desmoralizados pelas urnas. Em 2010, Lúcia aparecia colada a Demóstenes. Em 2014, desenhava-se uma humilhante derrota de Vilmar, que subiu de última hora. Em 2018, Marconi liderou até ser atropelado e não sobrar um osso inteiro. Em 2022, Marconi concorreu novamente e novamente liderava, até perder para Wilder, que estava em 5º lugar. Portanto, não tem vaga decidida e o único favoritismo intocável é o de Ronaldo Caiado, caso haja uma reviravolta e desista da Presidência da República, hipótese que ele não aceita nem discutir. À exceção de Gracinha, os demais são japoneses. Gustavo Gayer esteve bem, mas aguardam-se as entrevistas com eleitores da direita mais desconfiada para checar a presença de abalos após suas rusgas no PL por querer se aliar ao MDB.

Em palácio, já se fala em Caiado senador… e pelo União

Até há alguns meses, nas conversas com palacianos, era impossível colher uma frase em que estivessem juntas as palavras Caiado e senador. O cenário está mudado. Assessores diretos, parentes e até pretensos candidatos às suplências falam livre e abertamente sobre a balaiada de votos que o governador terá caso queira voltar ao Senado. Leia essa frase de um palaciano siamês do chefe: “Pode escrever, ele não fica sem mandato e, para isso, vai ser prático e se candidatar ao Senado”.

Essa fonte costuma ser fidelíssima a Caiado e a quem pergunta sobre ele. Tá, e como fica Gracinha Carvalho Caiado, que há quase dois anos é chamada de senadora: “Vai de suplente ou deputada federal”.

Dona Gracinha detesta essa fonte e a recíproca é verdadeira. Então, quanto à primeira-dama, a credibilidade do informante de O HOJE cai um pouco. O que subiu muito foi o tom da voz de quem diz que Caiado é senador. Poucos pedem segredo, a maioria fala alto e conversa sobre o tema no meio mais hackeado, grampeado e escutado do mundo, o telefone celular.

Como fazer com Vanderlan, que é do PSD? O partido vai lançar dois candidatos ao Senado, já que Caiado foi para ele, e o União Brasil nenhum? “Vanderlan é do PSD, mas Caiado continua e vai continuar no União Brasil.” Você soube disso de que jeito? “Escutei na CBN, mas antes tinha lido no O HOJE uns dias atrás, aí fui checar e realmente ele nem precisa voltar ao União, pois não saiu.”

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Lula

Escândalo do Master

Áudio de Vorcaro pode implodir a campanha de Lula no segundo turno?

Gravação atribuída ao ex-banqueiro cita dinheiro para filme sobre o presidente; defesa diz descon...
Alcolumbre marca votação do fim da escala 6×1 para, quarta-feira,14 de outubro

Jornada de trabalho

Alcolumbre marca votação do fim da escala 6×1 para, quarta-feira,14 de outubro

Senado pode votar fim da escala 6x1 antes do segundo turno das eleições
Fachin afirma que inquérito das Fake News deve ser arquivado

Fake News

Fachin afirma que inquérito das Fake News deve ser arquivado

Presidente da Suprema Corte diz que vai concluir análise de pendências antes de encerrar o caso
Michel Magul

Novo vereador

Michel Magul assume vaga de Aava Santiago na Câmara de Goiânia

Posse ocorre após TRE-GO manter cassação da vereadora por infidelidade partidária; defesa preten...
STF identifica ameaças de morte contra ministros no X

Supremo

STF identifica ameaças de morte contra ministros no X

Relatório da Corte mostra mensagens na rede social que citam fuzilamento, explosões e ataques aos ...
Deputados estaduais

Parlamento goiano

Deputados começam articulações de candidaturas para presidir a Alego

Com chegada de 19 novatos, Bruno Peixoto deve influenciar escolha do sucessor, enquanto nomes de dif...
Celina Leão tem agenda com lideranças políticas, empresários e profissionais nesta sexta (09) no DF

POLÍTICA

Celina Leão tem agenda com lideranças políticas, empresários e profissionais nesta sexta (09) no DF

Candidata à reeleição participa de entrevistas, visita feira em Sobradinho e encerra o dia com en...
Celina Leão assume compromisso de não aumentar impostos e garantir segurança jurídica ao setor produtivo

POLÍTICA

Celina Leão assume compromisso de não aumentar impostos e garantir segurança jurídica ao setor produtivo

Em reunião com empresários, candidata ao GDF também destacou segurança pública, organização u...