sexta-feira, 30 de outubro de 2026
OPINIÃO

Excesso de candidatos pode eleger senador com votação de deputados

Quantidade que vai consagrar o vencedor pode até ser menor se o PL insistir em lançar apenas um candidato, pois deve aumentar bastante o número de votos nulos, como o dos válidos, que tem crescido inversamente proporcional ao dos eleitos

Nilson Gomespor em
candidatos ( essa foto é o senado)
Contribui para a meta atual a expectativa de ao menos dez candidatos competitivos Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A jornalista Silvye Alves (União Brasil) foi eleita deputada federal com 254.653 votos. Não está pré-candidata ao Senado, uma exceção na maré de senatoriáveis, mas se for mantida a estatística pode ganhar para senadora se tiver o dobro neste ano. É o fenômeno Benjamin Button – em 2010, 2.158.812 eleitores digitaram o número de Demóstenes Torres; em 2022, Wilder Morais precisou de apenas 799.022 para se eleger senador. Olha o Button: há 16 anos, foram 3.022.567 votos válidos; na eleição passada, subiram para 3.487.856; em ambas, houve nove concorrentes.

Contribui para a meta atual a expectativa de ao menos dez candidatos competitivos, meia dúzia junto com Daniel Vilela (MDB), no mínimo dois com Wilder Morais (PL) e outros dois com Marconi Perillo (PSDB). A esquerda ainda não apresentou suas alternativas, mas reserva as boas de urna para a Câmara dos Deputados, o máximo a que chegou foi com os 298.589 votos de Marina Sant’Anna em 2014, ainda assim longe do vencedor, Ronaldo Caiado, 1.283.665. Seria um desperdício para o PT sacrificar Delúbio Soares, Adriana Accorsi, Rubens Otoni ou Edward Madureira com aventura para o Senado se há possibilidade de tê-los na concha ao lado.

Vai contando o número de candidatos

Porém, existe um porém: contudo, já que o teto pode ser de meio milhão de votos, o quarteto petista pode se animar. Aliás, as diversas correntes ideológicas perderam o medo de disputar o Senado. As alternativas na ala governista começam com o casal nº 1, o governador Ronaldo Caiado (ainda no União Brasil) e a primeira-dama Gracinha Caiado (UB). Vai contando…

Outros dois já foram confirmados, Zacharias Calil (agora no MDB) e Vanderlan Cardoso (PSD). Quatro. Vai contando… É provável que a chapa de Daniel conte ainda com Alexandre Baldy (PP) e Gustavo Mendanha (ainda no PSD). Wilder tem dois, Gustavo Gayer e Vitor Hugo. Marconi ainda não mostrou os seus, mas como está bem nas pesquisas é de se esperar que ao menos dois devem acompanhá-lo na chapa majoritária. Contou? Ainda faltam os dois do PT e os representantes dos nanicos (com menos de 5%, foram cinco em 2010, quatro em 2014, sete em 2018, três em 2022).

Iris perdeu para senador com diferença de vereador

Os pleitos têm sido bastante disputados. A última vez que alguém disparou à frente foi em 2010, quando a diferença de Demóstenes para a 2ª colocada, Lúcia Vânia, alcançou 662.253 (daria para eleger um senador em 2026). Em 2014, Ronaldo Caiado ganhou de Vilmar Rocha com 211.169 de frente. Em 2018, Vanderlan tirou 172.222 a mais que Jorge Kajuru. Em 2022, Wilder superou Waldir Soares por 173.360. Nenhum passou tão perto quanto Iris Rezende de Lúcia Vânia em 2002: ela ganhou por 9.531, menor que votação de vereador em Goiânia – os dois senatoriáveis da Câmara da Capital neste ano tiveram mais, bem mais: Vitor Hugo, 15.678; Edward, 13.573. Então, mesmo que as pesquisas estejam adversas, a oportunidade está passando à porta.

Os levantamentos dos institutos têm sido desmoralizados pelas urnas. Em 2010, Lúcia aparecia colada a Demóstenes. Em 2014, desenhava-se uma humilhante derrota de Vilmar, que subiu de última hora. Em 2018, Marconi liderou até ser atropelado e não sobrar um osso inteiro. Em 2022, Marconi concorreu novamente e novamente liderava, até perder para Wilder, que estava em 5º lugar. Portanto, não tem vaga decidida e o único favoritismo intocável é o de Ronaldo Caiado, caso haja uma reviravolta e desista da Presidência da República, hipótese que ele não aceita nem discutir. À exceção de Gracinha, os demais são japoneses. Gustavo Gayer esteve bem, mas aguardam-se as entrevistas com eleitores da direita mais desconfiada para checar a presença de abalos após suas rusgas no PL por querer se aliar ao MDB.

Em palácio, já se fala em Caiado senador… e pelo União

Até há alguns meses, nas conversas com palacianos, era impossível colher uma frase em que estivessem juntas as palavras Caiado e senador. O cenário está mudado. Assessores diretos, parentes e até pretensos candidatos às suplências falam livre e abertamente sobre a balaiada de votos que o governador terá caso queira voltar ao Senado. Leia essa frase de um palaciano siamês do chefe: “Pode escrever, ele não fica sem mandato e, para isso, vai ser prático e se candidatar ao Senado”.

Essa fonte costuma ser fidelíssima a Caiado e a quem pergunta sobre ele. Tá, e como fica Gracinha Carvalho Caiado, que há quase dois anos é chamada de senadora: “Vai de suplente ou deputada federal”.

Dona Gracinha detesta essa fonte e a recíproca é verdadeira. Então, quanto à primeira-dama, a credibilidade do informante de O HOJE cai um pouco. O que subiu muito foi o tom da voz de quem diz que Caiado é senador. Poucos pedem segredo, a maioria fala alto e conversa sobre o tema no meio mais hackeado, grampeado e escutado do mundo, o telefone celular.

Como fazer com Vanderlan, que é do PSD? O partido vai lançar dois candidatos ao Senado, já que Caiado foi para ele, e o União Brasil nenhum? “Vanderlan é do PSD, mas Caiado continua e vai continuar no União Brasil.” Você soube disso de que jeito? “Escutei na CBN, mas antes tinha lido no O HOJE uns dias atrás, aí fui checar e realmente ele nem precisa voltar ao União, pois não saiu.”

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