sábado, 31 de outubro de 2026
Combustível

Alta do diesel cresce repentinamente e ameaça produtividade do agro goiano

Combustível S500 saltou de R$ 5,35 para R$ 8 em uma semana; operação de máquinas agrícolas, transporte da produção, preparo do solo e plantio das lavouras são as ações mais impactadas pelo aumento

João César Almeidapor em
diesel
Aumento do preço pode impactar safra 2025/26 de soja e o 2º plantio de milho - Foto: Valter Campanato/ABr

O óleo diesel é um dos combustíveis mais importantes para a movimentação da economia brasileira e goiana, por conta disso, qualquer mudança no preço ou no fornecimento pode abalar a cadeia produtiva. Na semana passada, o diesel S500 era encontrado em média por R$ 5,35 por litro, enquanto nesta semana já ultrapassa os R$ 8 em algumas regiões. Com esse aumento, a pressão sobre os custos de produção tem crescido, impactando setores de transporte e o agronegócio.

 

A principal preocupação para o Estado de Goiás são possíveis dificuldades no abastecimento de óleo diesel, justamente em um dos períodos mais críticos do calendário agrícola. Nesse cenário, os produtores podem encontrar problemas durante o período da colheita da soja 2025/26, resultando em atrasos que também comprometem o plantio da segunda safra de milho.

 

Segundo o zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares, o problema não é necessariamente a falta de diesel no País, mas a forma como a cadeia de distribuição está lidando com a volatilidade dos preços.

 

“O que está acontecendo é que o preço do petróleo subiu muito rápido e o diesel está sendo vendido com margem negativa. Em alguns casos, as distribuidoras chegam a perder cerca de 40 centavos por litro. Para evitar prejuízos maiores, elas estão reduzindo estoques e trabalhando praticamente no sistema just in time”, explica.

 

A forma que as distribuidoras estão agindo nesta situação é repor o produto conforme a demanda, comprando volumes menores. Segundo o especialista, isso diminui o risco financeiro diante das variações de preço, porém essa prática também torna o sistema mais sensível a qualquer atraso na cadeia logística.

 

Essa volatilidade nos preços está sendo causada pelo conflito no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos (EUA) ao Irã. Com isso, o preço dos barris de petróleo dispararam e estão pressionando diversos setores. Essa mudança repentina nos preços tem preocupado instituições de apoio e incentivo ao agronegócio.

 

Em nota publicada em redes sociais, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se mostrou preocupada com relatos de dificuldades no fornecimento do produto no Estado. Na publicação, a Faeg destacou que o diesel é essencial para a operação de máquinas agrícolas, transporte da produção, preparo do solo e plantio das lavouras.

 

 

A entidade comunicou ainda que solicitou o acompanhamento da situação e a garantia da regularidade do abastecimento a órgãos como o Procon, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia.

 

De acordo com o gerente técnico e econômico da Faeg, Edson Novaes, o setor já está sentindo os prejuízos desse aumento nos preços do diesel. “Consequentemente, os demais elos da cadeia produtiva também sentirão, principalmente pelo aumento do valor do frete, que subirá com o aumento dos preços desse insumo, que é essencial para todos que transportam produtos”, explica.

 

 

Ele ressalta que se a situação se manter da mesma maneira, o aumento dos custos de produção e da logística de transporte de cargas impactará a competitividade do agronegócio goiano, com o repasse desses preços mais altos para o consumidor final.

 

Por conta desse crescimento repentino dos preços, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto-GO), soltou uma nota para os consumidores onde informou que o aumento vem em decorrência dos preços de venda de gasolina e diesel aos postos revendedores, sem qualquer anúncio prévio de reajuste nas refinarias da Petrobras e, em muitos casos, sem comunicação antecipada aos revendedores.

 

Além disso, o sindicato confirmou que os postos de combustíveis têm enfrentado restrições nas entregas por parte de algumas distribuidoras, que vêm limitando volumes ou retardando o atendimento dos pedidos realizados pelos postos. A dificuldade na reposição de estoques compromete a previsibilidade operacional dos estabelecimentos, ocorrendo justamente em um período de alta demanda por combustíveis.

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