“Marcha para o fim do Oeste”: exposição revisita ruínas da antiga sede da CELG e debate patrimônio histórico
A mostra propõe uma reflexão sobre memória urbana, demolição de edifícios históricos e os desafios da preservação arquitetônica
A capital goiana recebe, no dia 17 de março, a abertura da exposição “Marcha para o fim do Oeste”, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás (CCUFG). A mostra, idealizada pelos artistas Glauco Gonçalves e Henrique de la Fonte, utiliza os escombros e a história da antiga sede da Companhia Energética de Goiás (CELG) para promover uma reflexão profunda sobre o desaparecimento de arquiteturas e as tensões em torno da preservação do patrimônio.
O edifício que serve de base para o projeto foi um marco do modernismo em Goiânia, construído entre 1956 e 1958, e representou o processo de modernização do interior do país conhecido como “Marcha para o Oeste”. Após anos de abandono e de ter abrigado o projeto artístico MUDDA, o prédio foi demolido em apenas dez dias. Durante aproximadamente três anos, os artistas registraram esse processo de deterioração e transformação do espaço em ruína.
Com curadoria de Paulo Duarte-Feitoza, a exposição apresenta um núcleo composto por fotografias, vídeos, documentos e fragmentos arquitetônicos coletados diretamente no local. Segundo o curador, o trabalho desenvolve uma “estética da catação”, transformando vestígios e situações produzidas pelo estado de abandono em matéria de investigação estética. “As obras tornam visível uma história que já não pode mais existir como arquitetura”, afirma Duarte-Feitoza.
Além da dupla de artistas principais, a mostra conta com a participação de Flávia Leme, Robert Valentim, Wesley Garcia e Fernão Carvalho. O projeto também resgata a relevância cultural do antigo edifício, que reuniu nomes importantes como o engenheiro Oton Nascimento, o arquiteto alemão Gustav Ritter e o artista Nazareno Confaloni, autor de um mural que ficava no saguão do prédio.

Serviço:
- Evento: Exposição “Marcha para o fim do Oeste”.
- Abertura: 17 de março de 2026, às 19h.
- Visitação: 18 de março a 24 de abril de 2026.
- Local: Centro Cultural UFG (CCUFG) – Praça Universitária, Goiânia.
- Entrada: Gratuita.
- Classificação: Livre.
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