Mensagens de Vorcaro ampliam crise entre política, STF e sistema financeiro
Senadores protocolam pedido de CPI para investigar possíveis vínculos entre ministros da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro
O pedido de investigação sobre as relações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro intensificou a crise política em Brasília. Nesta terça-feira (10), senadores protocolaram na Casa um requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar possíveis vínculos entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, e o dono do Banco Master. No mesmo dia, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, reuniu-se com colegas para discutir os desdobramentos institucionais do caso. A situação pode ganhar novo capítulo na sexta-feira (13), quando a Segunda Turma do STF decidirá se mantém ou não a prisão de Vorcaro.
A crise ganhou força após a divulgação de conversas extraídas de aparelhos celulares apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações contra o banqueiro. As mensagens vieram a público após a segunda prisão de Vorcaro, determinada em 4 de março pelo ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso após o ministro Dias Toffoli declarar-se impedido.
De acordo com reportagens do jornal O Globo, horas antes de sua primeira prisão, em 17 de novembro, Vorcaro teria trocado mensagens com um contato salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes”. O ministro do STF nega ter recebido qualquer comunicação do empresário.
Os diálogos analisados pela Polícia Federal também mencionam parlamentares e lideranças políticas. Entre os nomes citados está o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), descrito pelo banqueiro nas conversas como “grande amigo”.
A controvérsia também envolve o contrato firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o acordo previa pagamento mensal de R$ 3,5 milhões para prestação de serviços jurídicos à instituição financeira.
O episódio ampliou o debate sobre a proximidade entre agentes do sistema financeiro e integrantes dos Poderes da República, gerando pressão política no Congresso e no Judiciário. Analistas avaliam que o caso pode ter impacto na imagem institucional do STF e influenciar o ambiente político em um ano eleitoral, quando o eleitorado voltará às urnas em outubro.