sábado, 7 de novembro de 2026
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Nova isenção do IR ainda não vale para declaração de 2026 e gera dúvidas

Regra que zera o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil já está em vigor nos salários de 2026, mas não se aplica à declaração feita neste ano

Renata Ferrazpor em
Isenção
Foto: Adobe Stock

Muitos contribuintes têm demonstrado dúvidas sobre a nova faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Embora a medida tenha sido aprovada no ano passado e já esteja em vigor desde 1º de janeiro de 2026, seus efeitos ainda não aparecem na declaração do Imposto de Renda feita neste ano. Isso ocorre porque a declaração entregue em 2026 se refere aos rendimentos obtidos em 2025, quando a regra antiga ainda estava em vigor.cxz

Na prática, a nova tabela começa a impactar diretamente o contracheque dos trabalhadores em 2026, reduzindo ou eliminando o imposto retido na fonte para milhões de brasileiros. Entretanto, o reflexo dessa mudança só aparecerá na declaração do IR de 2027, que considerará os rendimentos do ano-calendário de 2026. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, cerca de 16 milhões de pessoas em todo o País deverão ser beneficiadas com a nova faixa de isenção.

Em Goiás, o impacto também deve ser significativo. De acordo com estimativas baseadas em dados da Receita Federal, mais de 518 mil contribuintes goianos poderão ser beneficiados diretamente pela nova regra quando ela passar a valer plenamente na declaração de 2027. Desse total, cerca de 365,5 mil trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês devem ficar totalmente isentos, enquanto outros 171 mil contribuintes com rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350 terão redução progressiva do imposto.

Apesar da mudança, especialistas alertam que a nova faixa de isenção não altera as regras da declaração deste ano. O presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO) para o biênio 2026-2027, o contador Marcelo Cordeiro, explica que a confusão ocorre porque muitas pessoas misturam o conceito de isenção do imposto com a obrigação de declarar. 

Que teria como principal diferença é que a isenção do imposto significa que você não precisa pagar o tributo sobre determinada renda, enquanto a obrigação de declarar é a necessidade de informar à Receita Federal sobre seus rendimentos e bens, independentemente de ter imposto a pagar ou não.

“Em 2025, a isenção era para quem ganhava até dois salários mínimos, cerca de R$ 3.036. Agora, a partir de janeiro deste ano, quem ganha até R$ 5 mil já não tem o imposto descontado no salário. Mas isso não significa que a pessoa está automaticamente dispensada de fazer a declaração”, afirma.

Segundo o contador, os escritórios de contabilidade em Goiás têm recebido diversas dúvidas de contribuintes sobre o tema. Para evitar confusões, profissionais da área têm divulgado informativos e orientações explicando que a nova regra vale apenas para os rendimentos recebidos a partir de 2026, e não para a declaração atual.

Além da confusão sobre a nova tabela, outro problema comum envolve erros no preenchimento da declaração. De acordo com Cordeiro, um dos equívocos mais frequentes está relacionado à inclusão de dependentes. “Muitas pessoas colocam o dependente na declaração e informam apenas as despesas, como gastos médicos ou com educação, mas esquecem de declarar os rendimentos que essa pessoa teve. Quando se inclui um dependente, é necessário declarar tudo: despesas e também qualquer renda que ele tenha recebido”, explica.

Outro tipo de erro ocorre quando os valores informados na declaração não coincidem com os dados enviados à Receita Federal por empresas, bancos ou prestadores de serviços. Esse tipo de divergência costuma gerar inconsistências e pode levar o contribuinte à chamada malha fina. No entanto, o uso de sistemas integrados e da conta gov.br tem ajudado a reduzir esse tipo de problema, já que muitos dados são importados automaticamente.

A ampliação da faixa de isenção faz parte de um processo de atualização da tabela do IR, com o objetivo de aumentar a renda líquida disponível para trabalhadores, aposentados e pensionistas. Com a mudança, pessoas que recebem até R$ 5 mil mensais passam a ter isenção total, enquanto contribuintes com renda de até R$ 7.350 terão descontos graduais no imposto.

Embora o impacto completo da medida ainda dependa das declarações de 2027, especialistas avaliam que a mudança tende a aliviar o orçamento de milhões de famílias.

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