sexta-feira, 13 de março de 2026
Independência da Casa

Disputa expressiva pelo Senado pode ter como foco superar STF

Até o momento, em Goiás foram lançados dez nomes para disputar duas vagas na Casa

Marina Moreirapor Marina Moreira em 13 de março de 2026
Senado
Especialistas apontam caminhos a serem adotados pelas lideranças de partido em Goiás no processo de escolha de pré-candidatos à casa Alta do Congresso - Créditos: Marcos Oliveira/Agência Senado

A busca por duas cadeiras no Senado Federal tem sido um dos principais focos dos partidos em geral, especialmente os goianos. Muitos nomes foram lançados como pré-candidatos na disputa pela Casa Alta do Congresso em Goiás, o que tem gerado incômodo para alguns concorrentes. 

É o caso do deputado federal Zacharias Calil, recém-chegado ao MDB, mesmo partido do vice-governador e pré-candidato ao Executivo estadual goiano, Daniel Vilela. Além de Calil, o senador Vanderlan Cardoso, que pertence à mesma sigla do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), também apresentou discordâncias em relação à decisão do chefe do Palácio das Esmeraldas de escolher quatro nomes para disputar o Senado. 

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Deputado federal Zacharias Calil (MDB) e senador Vanderlan Cardoso (PSD) apresentaram discordâncias em relação à decisão do chefe do Palácio das Esmeraldas de escolher quatro nomes para disputar o Senado – Créditos: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados e Roque de Sá/Agência Senado

No total, serão quatro alternativas da base do governo para disputar a Casa. O descontentamento do deputado federal e do senador gira em torno da decisão do governador em escolher o presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), para compor a lista de nomes aptos ao Senado ao lado de Calil, Vanderlan e da primeira-dama Gracinha Caiado (UB). 

Acesse também: O que falta para definir as chapas de Daniel, Marconi e Wilder até as eleições para o Governo de Goiás

No que tange às movimentações políticas do PSDB em nome do ex-governador e pré-candidato ao Governo de Goiás, Marconi Perillo, ainda não foram tornadas públicas informações sobre a escolha de alternativas para o Senado. O tucano reitera que tais decisões serão apresentadas publicamente próximo das convenções partidárias. 

Adversário de Daniel e Marconi, o dirigente do PL em Goiás e pré-candidato ao governo, Wilder Morais, também não anunciou possíveis nomes para disputar cargo de senador, apesar de o vereador de Goiânia, Oséias Varão (PL), anunciar sua pré-candidatura à Casa Alta na última terça-feira (10), e ressaltar que ainda falta a definição oficial do próprio partido. Há também o deputado federal Gustavo Gayer (PL), que pretende disputar uma cadeira no Senado.

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Vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e senador Wilder Morais (PL). Todos são pré-candidatos ao Governo do Estado – Créditos: Walter Folador, Ascom – Marconi Perillo e Geraldo Magela/Agência Senado

Mais espaço no Senado

Analistas políticos avaliam que, em Goiás, os olhares se voltam para o Senado, uma vez que a base de Caiado e Daniel lançaram nomes fortes para ter espaço na Casa. “Agora que os partidos da base lançaram nomes que possuem potencial eleitoral, todo mundo quer disputar. Isso é o reflexo da última eleição de Caiado ao governo. É difícil segurar essa quantidade de lideranças”, analisa o estrategista político Marcos Marinho, em entrevista ao O HOJE. 

Marinho pontua qual o melhor caminho a ser adotado pelas lideranças de partido no processo de escolha de pré-candidatos ao Senado. “A grande questão agora é ter método. É de fato colocar na ponta da caneta quem tem densidade eleitoral, quem vai fazer campanha com potencial de vitória e quem vai só levantar a bandeirinha do partido”, ressalta o estrategista político. 

Campanha para além das redes

Para Marinho, o momento gera a necessidade de os pré-candidatos ampliarem a campanha eleitoral de forma que as atuações não fiquem restritas apenas nas redes sociais. “Na minha leitura, sai na frente quem tiver não só presença virtual, aí é um problema para o Gustavo Gayer (PL), mas uma presença junto à sociedade, ao eleitorado e aos municípios goianos”, alerta Marinho. 

Sem contar com os pré-candidatos ao Senado do PT goiano, que ainda não foram divulgados, até o momento foram lançados até dez pré-candidatos para disputar as duas vagas, o que reforça a ideia de que a eleição para senador tem se tornado cada vez mais importante para as legendas. 

A avaliação é de que há siglas que focam no Senado com o intuito de medir forças com o Supremo Tribunal Federal (STF) e resgatar o poder da Casa. “Gustavo Gayer é um grande defensor dessa ideia do Senado obter mais independência. Existe essa busca ideológica pelo domínio do Senado. Até agora, o partido que apresentou um possível nome que disputa à Casa Alta com esse intuito é o PL”, avalia o cientista político Lehninger Mota em entrevista ao jornal O HOJE. (Especial para O HOJE)

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