sexta-feira, 13 de março de 2026
Saúde

Estudo aponta potencial da própolis verde na regeneração de neurônios

A própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), planta nativa do Brasil

Leticia Mariellepor Leticia Marielle em 13 de março de 2026
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Estudo aponta potencial da própolis verde na regeneração de neurônios. | Foto: Reprodução/Freepik

Uma substância produzida pelas abelhas para proteger e higienizar a colmeia pode ter aplicações importantes na pesquisa sobre doenças neurodegenerativas. Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que compostos presentes na própolis verde apresentam potencial para contribuir em investigações relacionadas a enfermidades como Alzheimer e Parkinson.

A própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), planta nativa do Brasil encontrada principalmente no Cerrado e na Mata Atlântica. As abelhas coletam essa resina e a misturam com saliva e cera, originando a substância conhecida por propriedades biológicas, entre elas a ação antibacteriana.

Na pesquisa, os cientistas analisaram dois dos principais compostos da própolis verde, o Artepelin C e a Bacarina. Os resultados indicaram que essas moléculas podem estimular a diferenciação de células neuronais, aumentar a conexão entre neurônios e reduzir processos de morte celular, efeitos considerados relevantes para estudos sobre doenças que afetam o sistema nervoso.

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A própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia), planta nativa do Brasil. | Foto: Reprodução/Freepik

Para investigar esses efeitos, os compostos foram isolados por meio de técnicas cromatográficas, utilizadas para separar substâncias químicas presentes em uma mistura. Em seguida, os pesquisadores aplicaram duas abordagens complementares: modelagem computacional e testes laboratoriais com células PC12, derivadas de ratos e utilizadas como modelo para estudos neuronais.

A modelagem computacional permitiu avaliar propriedades físico-químicas das moléculas, como solubilidade, permeabilidade e a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, estrutura responsável por controlar a passagem de substâncias do sangue para o cérebro. Já os experimentos em laboratório possibilitaram observar diretamente a ação dos compostos em células com características neuronais.

Segundo os pesquisadores, os resultados apontam para um caminho promissor em estudos futuros sobre o potencial terapêutico da própolis verde, além de reforçar a relevância de um produto natural considerado característico do Brasil para a pesquisa científica.

Para ampliar o potencial de ação do Artepelin C no sistema nervoso, os pesquisadores realizaram uma modificação química conhecida como acetilação. A alteração tornou a molécula mais lipofílica, aumentando sua afinidade por substâncias gordurosas e facilitando a travessia da barreira hematoencefálica, estrutura que regula a passagem de compostos do sangue para o cérebro. De acordo com as análises computacionais realizadas durante o estudo, a modificação pode favorecer a chegada do composto ao tecido cerebral.

Experimentos realizados em laboratório com células PC12 indicaram que compostos presentes na própolis verde podem estimular processos ligados à regeneração neuronal. Após o tratamento com as substâncias, as células passaram a desenvolver neuritos, pequenas extensões que posteriormente dão origem a axônios e dendritos, estruturas responsáveis pela transmissão de sinais entre os neurônios.

Durante a análise, os pesquisadores também observaram aumento na presença das proteínas sinapsina I e GAP-43, marcadores associados ao crescimento, à maturação e à formação de novas conexões entre células nervosas. A elevação desses indicadores sugere que as células passam a apresentar condições mais favoráveis para processos de regeneração, fator considerado relevante em estudos sobre doenças neurodegenerativas.

Outro resultado apontado pela pesquisa foi a atividade antioxidante dos compostos Artepelin C e Bacarina. As substâncias demonstraram capacidade de neutralizar moléculas reativas de oxigênio, que costumam se acumular em níveis elevados em doenças que afetam o sistema nervoso.

Os cientistas também verificaram redução na ativação de mecanismos associados à morte celular programada. Esse efeito, conhecido como ação antiapoptótica, pode contribuir para a proteção de neurônios em situações de estresse celular, como as observadas nas fases iniciais de doenças neurodegenerativas.

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