EUA propõem que Brasil receba presos estrangeiros, afirma jornal
Proposta dos Estados Unidos inclui envio de presos e troca de dados em negociação com Brasil
A discussão sobre um novo acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime transnacional passou a incluir propostas do governo de Donald Trump, entre elas a de que o Brasil receba presos estrangeiros, segundo apuração da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. As sugestões norte-americanas ampliam o escopo do diálogo e estão sendo analisadas por autoridades brasileiras.
Entre os pontos levados à negociação está a possibilidade de o Brasil receber, em suas unidades prisionais, estrangeiros capturados em território americano. A ideia se inspira em modelo semelhante adotado por El Salvador, que mantém detentos estrangeiros em presídio de segurança máxima. O tema deve integrar a pauta do encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, que ainda segue sem data mas é esperado para acontecer em abril.

EUA cobram Brasil por plano contra facções
Além da proposta relacionada ao sistema prisional, os Estados Unidos solicitaram que o Brasil apresente um plano específico para enfrentar organizações criminosas com atuação internacional. Na lista mencionada pelas autoridades norte-americanas estão o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e grupos de origem chinesa que operam no país.
Outro ponto em discussão envolve o compartilhamento de informações. Segundo autoridades ouvidas pela Folha de S.Paulo, Washington quer acesso a dados biométricos e registros de estrangeiros que buscam refúgio no Brasil. O objetivo seria fortalecer o monitoramento de fluxos migratórios e apoiar ações contra redes criminosas que utilizam rotas regionais.
As propostas ainda não foram aceitas pelo governo brasileiro. Entre as preocupações do Planalto está a eventual classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
As demandas norte-americanas surgem como contraproposta a um plano de cooperação apresentado anteriormente por Lula, em conversa telefônica com Trump no ano passado, que também ajudou a reduzir tensões bilaterais relacionadas a tarifas comerciais.