sexta-feira, 13 de março de 2026
Prisão de Bolsonaro

Moraes revoga autorização e impede visita de assessor de Trump a Bolsonaro

Após alerta do Itamaraty sobre possível ingerência estrangeira, STF cancela encontro do norte-americano Darren Beattie com o ex-presidente na prisão

Paula Costapor Paula Costa em 13 de março de 2026
Prisão de Bolsonaro
Alexandre de Moraes voltou atrás e negou a autorização para que Darren Beattie, ligado ao presidente dos EUA Donald Trump, visitasse Jair Bolsonaro na prisão. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

O ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou nesta quinta-feira (13), a autorização que permitiria a visita do assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A decisão foi tomada após manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que apontou risco de “indevida ingerência” estrangeira em assuntos internos do país em pleno ano eleitoral.

Na nova determinação, Moraes cancelou o aval que havia concedido anteriormente para a visita do norte-americano Darren Beattie, assessor sênior do governo Trump para temas ligados ao Brasil. O encontro havia sido solicitado pela defesa de Bolsonaro.

Ao comunicar o Supremo, o Itamaraty expressou preocupação com a possibilidade de o encontro ser interpretado como intervenção externa no cenário político brasileiro. A chancelaria também destacou que não há compromisso diplomático formal envolvendo Beattie no país.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a visita pretendida não fazia parte do contexto diplomático que justificou a concessão de visto ao assessor norte-americano nem havia sido previamente comunicada às autoridades brasileiras. Diante disso, o órgão apontou que a agenda poderia, inclusive, levar à reavaliação da autorização de entrada do estrangeiro no Brasil.

Na decisão, Moraes afirmou que a reunião solicitada pela defesa de Bolsonaro não estava vinculada a compromissos oficiais entre os governos. O ministro ressaltou que a falta de comunicação prévia às autoridades diplomáticas reforçou a necessidade de impedir a visita.

“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, diz Moraes na nova decisão.

O pedido havia sido protocolado pela defesa do ex-presidente no dia 10 de março. Desde janeiro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022. Ele está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, e todas as visitas precisam ser autorizadas pelo relator do processo no STF.

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