sexta-feira, 13 de março de 2026
Alvo de Operação

‘Não tenho nada a ver com isso’, diz Ibaneis Rocha após operação mirar líder do governo no DF

Hermeto nega participação no caso e afirma não ter responsabilidade sobre contratos administrativos da pasta. Já o governador Ibaneis disse não ter relação com a investigação sobre desvio de quase R$ 50 milhões em um contrato de aluguel da Secretaria de Educação

Paula Costapor Paula Costa em 13 de março de 2026
Alvo de Operação
“Cada um que tem seus problemas que responda perante a Justiça”, declarou Ibaneis.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), em Brasília, uma operação para investigar um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 50 milhões envolvendo contratos da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Entre os alvos da ação está o deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo do governador Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A investigação apura suspeitas de irregularidades na locação de um imóvel destinado ao funcionamento de uma escola pública.

A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com apoio da Polícia Civil do DF, cumpre 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, além de endereços em São Paulo, Goiás e Tocantins. As diligências atingem o gabinete do parlamentar na CLDF, a residência de Hermeto e dependências da Secretaria de Educação, além de um empresário em São Paulo apontado como proprietário do imóvel investigado.

Segundo relatórios da Polícia Civil e do Ministério Público, o caso envolve a locação considerada fraudulenta de um galpão localizado no Setor de Motéis da Candangolândia, destinado a abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da região e a sede da Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante. O imóvel, que anteriormente funcionava como concessionária, teria sido alugado e reformado com recursos públicos.

De acordo com os investigadores, Hermeto teria desempenhado “papel decisivo na articulação do esquema”. As apurações indicam que o deputado teria intermediado contato direto com o então secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, para viabilizar a assinatura de um contrato considerado irregular. O relatório do MPDFT afirma que o parlamentar exerceu “influência determinante” para que o processo administrativo avançasse, apesar de indícios de ilegalidades.

A investigação aponta que o processo de locação foi iniciado após a então Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante alegar que o prédio público utilizado pela escola estaria em condições precárias e precisaria ser demolido, argumento que, segundo o MPDFT, não foi sustentado por laudos técnicos. Servidores da Secretaria de Educação teriam apoiado o procedimento, que resultou na transferência das atividades escolares para o imóvel privado.

O Ministério Público também destaca que, ao longo de mais de cinco anos, o governo do DF teria desembolsado cerca de R$ 19 milhões em aluguéis pelo espaço. Paralelamente, o prédio público original passou a ser alvo de um contrato de reforma firmado em 2025 no valor aproximado de R$ 12 milhões. Para os investigadores, os gastos indicam possível prejuízo ao erário, já que a estrutura inicial poderia ter sido recuperada por valor inferior.

Após a operação, o governador Ibaneis Rocha afirmou não ter relação com o caso e disse não possuir informações detalhadas sobre a investigação, que corre sob sigilo. “Pelo que eu sei essa operação corre em sigilo. Eu não tenho informações do que aconteceu, e também se eles que estão envolvidos quiserem apresentar para mim alguma coisa, mas não tem interesse nenhum, não cita meu nome. Eu não tenho nada a ver com isso. Cada um que tem seus problemas que responda perante a Justiça”, declarou Ibaneis.

A secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Miridan Paranaguá Fraga, também se manifestou e afirmou estar tranquila em relação ao episódio. Segundo ela, o contrato investigado foi firmado antes de sua gestão na pasta. “A Polícia Civil ainda não liberou o processo para que a gente tenha acesso. É uma locação que existia antes de eu assumir como secretária de Educação. Vamos aguardar a conclusão da investigação pra ver, mas eu estou muito tranquila. Não foi assinado por mim o contrato”, disse Hélvia.

Em nota, o deputado Hermeto negou qualquer participação em irregularidades e afirmou não ter responsabilidade sobre contratos administrativos da Secretaria de Educação. O parlamentar declarou que os recursos destinados por seu mandato ao Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas no Distrito Federal e ressaltou que o programa não permite o uso de verbas para pagamento de aluguel.

Alvo de Operação
O deputado Hermeto (MDB), líder do governo Ibaneis Rocha (MDB) na CLDF (Câmara Legislativa do DF) é alvo de operação em Brasília.
Suspeita é de desvio de verba na casa dos R$ 50 milhões. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

“Os recursos destinados por meu mandato ao PDAF ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal. É importante destacar que o PDAF não pode ser utilizado para pagamento de aluguel, portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos”, afirmou o deputado no comunicado.

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