Ex-piloto Pedro Turra vira réu por tentativa de homicídio em novo caso de agressão, no DF
Ministério Público aceita pedido da defesa da vítima para reclassificar crime que antes era tratado como lesão corporal; Turra já responde por homicídio pela morte de um adolescente de 16 anos.
O ex-piloto Pedro Turra, de 19 anos, pode passar a responder por tentativa de homicídio em mais um episódio de agressão registrado no Distrito Federal. O Ministério Público do Distrito Federal, acatou o pedido da defesa de Arthur Azevedo Valentim para reclassificar o crime, que inicialmente havia sido tratado como lesão corporal.
O caso ocorreu em junho de 2025, em uma praça de Águas Claras, no DF. Segundo as investigações, Turra teria convidado amigos para ir até o local com a intenção de “resolver um problema”. O ex-piloto também já responde por homicídio pela morte do adolescente goiano Rodrigo Castanheira, de 16 anos.
A solicitação de mudança na tipificação do crime foi apresentada após a inclusão de novos elementos no processo. Entre eles está o depoimento de uma jovem que afirmou ter presenciado o comportamento agressivo do ex-piloto. Segundo a testemunha, Turra demonstrava intenção de “bater para matar” quando se envolvia em brigas.
Ela relatou que estava com ele no dia da agressão e que o jovem foi até a praça já disposto a atacar a vítima. “Ele não queria parar de bater, queria bater para matar. Falava ‘se eu pego esse moleque, eu mato”, afirmou.
Relembre o caso
A confusão teria começado após um desentendimento envolvendo a então namorada de Turra. De acordo com o registro policial, o ex-piloto reuniu alguns amigos antes de ir até a praça onde Arthur Valentim estava.
No local, os dois chegaram a conversar por cerca de dez minutos e, ao final da conversa, Turra teria dito que o problema estava resolvido. No entanto, quando Valentim virou as costas para ir embora, foi surpreendido com um soco nas costelas.
Em seguida, o ex-piloto teria aplicado um golpe conhecido como “mata-leão”, tentando enforcar o jovem. A vítima conseguiu evitar o estrangulamento, mas continuou sendo agredida. A violência teria durado cerca de cinco minutos.
Segundo o relato, os amigos que acompanhavam Turra não participaram diretamente da agressão, mas permaneceram no local observando. A testemunha contou que decidiu intervir ao perceber que ele não parava de bater em Valentim. Ela afirmou que puxou Turra pelo cabelo e disse que a polícia estava chegando, o que interrompeu a briga.
Após a intervenção, a vítima conseguiu fugir e registrou ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal.
O advogado de Arthur Valentim, Vinícius Maia Rodrigues, afirmou que os elementos reunidos no processo indicam uma gravidade maior do que a considerada inicialmente.
“A defesa confia que, diante dos elementos já constantes nos autos, será dada a correta qualificação jurídica ao caso, garantindo que os fatos sejam analisados pela instância competente e que a resposta da Justiça seja proporcional à gravidade do ocorrido”, disse.
Caso a Justiça concorde com a nova classificação, o processo poderá ser encaminhado ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.

Histórico de violência de Pedro Turra
Pedro Turra também responde por homicídio pela morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos. O jovem morreu dias depois de uma briga de rua em que foi atingido por um soco e precisou ser internado em uma unidade de terapia intensiva.
Há ainda outro registro de agressão envolvendo o ex-piloto. Em julho de 2025, ele teria atacado um homem de 49 anos durante uma briga de trânsito em Águas Claras. Imagens anexadas ao inquérito mostram Turra dando tapas no rosto da vítima e exigindo que ela pedisse desculpas, enquanto o homem tenta se proteger. O caso foi registrado como vias de fato.
O ex-piloto também é investigado por coagir uma adolescente a consumir bebida alcoólica durante uma festa no Jóquei Clube de Brasília, quando ainda tinha 17 anos. Segundo depoimento, ele teria insistido para que a jovem bebesse vodca mesmo após recusas e teria ordenado que outras pessoas a segurassem. Um vídeo entregue à polícia mostra o momento em que a adolescente tenta se afastar enquanto Turra segura a garrafa.
O episódio resultou na abertura de um segundo inquérito com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Atualmente, Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória, enquanto aguarda julgamento. A defesa do ex-piloto não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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