“Eu fiquei louco, sem saber o que fazer”, diz síndico acusado de matar corretora em Caldas Novas
O síndico, Cléber Rosa de Oliveira é acusado de planejar a morte de Daiane Alves Sousa e responderá por homicídio qualificado e ocultação de cadáver após decisão da Justiça que manteve a prisão preventiva
Justiça mantém preso síndico que matou corretora após atraí la ao subsolo do prédio em Caldas Novas (GO). Foto: Reprodução
A Justiça manteve a prisão preventiva do síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado de matar a corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, em Caldas Novas, no sul de Goiás. A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal da comarca durante a revisão obrigatória da medida.
De acordo com a decisão judicial, não surgiram fatos novos que justifiquem a soltura do acusado. O documento aponta que permanecem os indícios de autoria e materialidade do crime, além do risco caso ele responda ao processo em liberdade.
Cléber está preso desde 28 de janeiro de 2026 e responde pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Na decisão, a Justiça ressaltou a gravidade do caso e a possível premeditação. Há indícios de que o síndico teria desligado intencionalmente a energia elétrica do apartamento da vítima para atraí-la ao subsolo do prédio onde morava.
Conclusão sobre o caso
Segundo o documento, Cléber teria aguardado Daiane no local, encapuzado, e efetuado dois disparos na cabeça da corretora. Para a magistrada, o planejamento e a violência envolvidos no crime reforçam a necessidade da manutenção da prisão preventiva.
Justiça mantém preso síndico que matou corretora após atraí la ao subsolo do prédio em Caldas Novas (GO). Foto: Reprodução
Em depoimento, Cléber afirmou que, no dia 17 de dezembro de 2025, esteve no prédio, mas disse que não permaneceu apenas no local por causa das atividades de trabalho, que também o levavam à usina fotovoltaica do condomínio, localizada no bairro Itanhangá I.
No entanto, levantamento de câmeras de monitoramento de trânsito de Caldas Novas registrou o veículo do síndico passando pela Avenida Coronel Bento de Godoy às 19h36, pouco depois do horário em que Daiane foi vista pela última vez no prédio. Em seguida, o carro foi identificado na Avenida das Palmeiras, às 19h41, no Centro da cidade, às 20h29, e na Avenida Tiradentes, às 20h41, em rota compatível com o retorno ao Condomínio Ametista.
As imagens também mostram que, na saída, a carroceria do veículo estava com a lona fechada e, no retorno ao centro, a capota apareceu recolhida. A investigação aponta a possibilidade de que o compartimento traseiro tenha sido usado para transportar ou descartar algum objeto volumoso. O trajeto completo registrado pelas câmeras leva cerca de 27 minutos, segundo estimativa do Google Maps.
Em depoimento à polícia, o síndico apresentou uma versão diferente para o ocorrido. Segundo Cléber, o confronto teria começado quando Daiane o abordou enquanto o filmava.
“Ela veio com o telefone em minha direção, filmando e falando: ‘agora eu te peguei, agora eu te coloco na cadeia’. Eu fui em direção a ela na tentativa de pegar o celular da mão dela. Só que ela resistiu e nós entramos em luta corporal”, declarou.
Ainda de acordo com o interrogatório, o acusado afirmou que a arma que carregava na cintura teria caído durante a confusão e sido disputada pelos dois.
“A arma caiu no chão naquela movimentação. Nós dois fomos pegar e ficamos com as quatro mãos agarradas nela… hora virava para um lado, hora para o outro. Eu não entendi se foi por minha mão ou pela dela, mas a arma disparou e ela caiu”, disse.
Cléber também relatou que, após o disparo, entrou em estado de desespero e decidiu retirar o corpo do local.
“Eu fiquei louco, sem saber o que fazer. Pensei em tirar o corpo dali. Puxei devagar, fui puxando até conseguir colocar no carro. Depois saí sem saber o que fazer, rodando pela rodovia”, afirmou.
Justiça mantém preso síndico que matou corretora após atraí la ao subsolo do prédio em Caldas Novas (GO). Foto: Reprodução
O material foi documentado nas condições em que chegou ao IML de Goiânia, com registro dos ossos encontrados dentro do saco e das vestes localizadas junto aos restos mortais.
Durante o exame preliminar, ao manusear o crânio, que ainda apresentava resíduos de tecidos moles, os peritos localizaram um projétil de arma de fogo (PAF). O objeto foi recolhido e encaminhado para exame balístico complementar.
Após a perícia inicial, os restos mortais foram submetidos a exame de tomografia. Em seguida, para possibilitar análises odontológica e antropológica mais detalhadas, foi realizado um procedimento de limpeza do material.
Tentativas de interferência na investigação
A decisão também menciona possíveis tentativas de interferência nas investigações. Conforme o processo, o acusado teria enviado áudios a funcionários do condomínio orientando o que deveriam dizer sobre o caso, o que pode indicar tentativa de direcionar versões.
O sistema de videomonitoramento do prédio apresentou lacunas, com a entrega inicial apenas parcial das imagens. Como síndico, Cléber tinha acesso ao sistema de câmeras e contato com o técnico responsável pela extração das gravações, o que, segundo a Justiça, poderia representar risco de interferência na produção de provas.
O documento ainda lembra que o corpo da vítima ficou oculto por mais de 40 dias, período em que familiares e autoridades realizavam buscas.
Corretora morta em Caldas Novas por síndico
A corretora de imóveis Daiane Alves Sousa, de 43 anos, desapareceu em 17 de dezembro de 2025, após descer ao subsolo do prédio onde morava para verificar uma queda de energia.
Daiane havia se mudado para Caldas Novas para administrar os apartamentos da mãe no condomínio onde morava. A atuação dela gerou conflitos com o síndico Cléber Rosa de Oliveira, que discordava de algumas decisões da corretora. Desde outubro do ano anterior, os dois chegaram a registrar boletins de ocorrência um contra o outro devido a desentendimentos frequentes.
Mais de 40 dias depois, o síndico foi preso pela Polícia Civil. Ele confessou o crime e indicou aos investigadores o local onde havia deixado o corpo da vítima, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.
Durante a investigação, a polícia analisou quem teria meios, motivo e oportunidade para cometer o crime. O corpo de Daiane foi encontrado posteriormente em uma área de mata às margens da GO-213, a cerca de 20 quilômetros do prédio onde ela morava. A vítima foi atingida por dois disparos de arma de fogo calibre .380, um na mandíbula e outro na cabeça. Exames de DNA também identificaram sangue da corretora no veículo do suspeito e em uma sala no subsolo do condomínio.
Segundo a polícia, Cléber confessou o crime ao filho, Maicon Douglas Souza, e pediu que ele assumisse temporariamente a administração do prédio, prevendo a possibilidade de ser preso. Ele também teria feito um PIX ao filho para pagamento da defesa com dinheiro retirado de contas do condomínio. Ao final da apuração, os investigadores concluíram que Maicon não participou do homicídio.
A Polícia Científica apontou ainda que os disparos não ocorreram dentro do condomínio, como alegou o suspeito. Testes indicaram que tiros no subsolo seriam audíveis em vários pontos do prédio, o que não foi relatado por funcionários.
Durante as investigações, a Polícia Civil recuperou um vídeo gravado pela própria vítima no momento do ataque. As imagens estavam no celular de Daiane, encontrado em uma tubulação de esgoto do prédio após 41 dias. No vídeo, a corretora chega ao subsolo do condomínio e é surpreendida pelo síndico, que aparece usando luvas, o que reforça a suspeita de premeditação.
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