segunda-feira, 16 de março de 2026
ORIENTE MÉDIO

Estreito de Ormuz opera sob “condições especiais” impostas pelo Irã

Irã afirma que passagem está aberta a um número restrito de países enquanto Trump busca apoio internacional

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 16 de março de 2026
Estreito de Ormuz está aberto às nações que não estão participando da ofensiva contra o Irã
Porta-voz do Irã, Esmaeil Baghaei, declara que a rota está operando para um número limitado de embarcações (Foto: Reprodução/ @IRIMFA_SPOX)

O Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações internacionais, durante a guerra no Oriente Médio. A passagem marítima no Golfo Pérsico é considerada uma rota  estratégica, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo exportado globalmente. Em meio ao conflito, o tráfego de navios foi drasticamente reduzido e passou a ocorrer sob restrições impostas por Teerã.

O governo iraniano afirmou na segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz “não está fechado”, mas opera sob “condições especiais”. Segundo autoridades do país, apenas um número limitado de embarcações tem recebido autorização para atravessar a rota desde o início da guerra.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, navios de países que não participam da ofensiva militar contra Teerã têm conseguido atravessar a passagem com autorização das forças armadas iranianas. “Partes que não participam da agressão militar contra o Irã têm conseguido atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com permissão de nossas forças armadas”, afirmou.

Baghaei disse ainda que permitir o trânsito irrestrito de embarcações ligadas a países envolvidos na guerra seria incompatível com a situação atual. Segundo ele, nenhum país costeiro sob ameaça permitiria que navios inimigos utilizassem uma rota estratégica para se fortalecer e lançar ataques.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no domingo (15), que diversos países procuraram o governo iraniano para discutir a passagem segura de navios pelo estreito. Segundo ele, um grupo de embarcações de diferentes nacionalidades já recebeu autorização para atravessar a área, embora as decisões finais estejam sob responsabilidade das forças armadas.

Trump pede para que países cuidem do Estreito de Ormuz

Enquanto o Irã controla a circulação de navios, os Estados Unidos buscam apoio internacional para garantir o funcionamento da rota marítima. O presidente Donald Trump afirmou ter recebido “algumas respostas positivas” após entrar em contato com diferentes países para discutir formas de proteger o Estreito de Ormuz.

Donald Trump pede apoio internacional no Estreito de Ormuz
Donald Trump afirma que alguns países preferem não se envolver no conflito do Oriente Médio (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

“Eles foram contatados hoje e ontem à noite, e tivemos algumas respostas positivas. Alguns preferem não se envolver”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. O presidente norte-americano não revelou quais governos foram procurados.

Apesar das consultas feitas por Washington, nenhum país anunciou até agora o envio de embarcações militares para a região. O Japão afirmou que ainda avalia quais medidas pode adotar de forma independente dentro de seu marco legal. A Austrália declarou que não recebeu solicitação para participar de uma operação na área.

Europa demonstra cautela após pedido de Trump

Na Europa, governos também indicaram cautela diante do pedido norte-americano. A Alemanha afirmou que não considera participar de atividades militares no Estreito de Ormuz e ressaltou que o conflito não envolve a Otan. Autoridades italianas defenderam a diplomacia como caminho para resolver a crise, enquanto a Grécia declarou que não se envolverá em operações militares na região.

A China, grande importadora de petróleo transportado pela rota, afirmou que está em contato com “todas as partes” sobre a situação no Estreito de Ormuz. O governo chinês reiterou o apelo por uma redução da escalada do conflito e pediu que os combates sejam interrompidos para evitar consequências econômicas mais amplas.

A escalada no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Washington e Tel Aviv matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. A ofensiva também atingiu alvos estratégicos e integrantes da cúpula militar do regime.

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