Estreito de Ormuz opera sob “condições especiais” impostas pelo Irã
Irã afirma que passagem está aberta a um número restrito de países enquanto Trump busca apoio internacional
O Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações internacionais, durante a guerra no Oriente Médio. A passagem marítima no Golfo Pérsico é considerada uma rota estratégica, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo exportado globalmente. Em meio ao conflito, o tráfego de navios foi drasticamente reduzido e passou a ocorrer sob restrições impostas por Teerã.
O governo iraniano afirmou na segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz “não está fechado”, mas opera sob “condições especiais”. Segundo autoridades do país, apenas um número limitado de embarcações tem recebido autorização para atravessar a rota desde o início da guerra.
De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, navios de países que não participam da ofensiva militar contra Teerã têm conseguido atravessar a passagem com autorização das forças armadas iranianas. “Partes que não participam da agressão militar contra o Irã têm conseguido atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com permissão de nossas forças armadas”, afirmou.
Baghaei disse ainda que permitir o trânsito irrestrito de embarcações ligadas a países envolvidos na guerra seria incompatível com a situação atual. Segundo ele, nenhum país costeiro sob ameaça permitiria que navios inimigos utilizassem uma rota estratégica para se fortalecer e lançar ataques.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no domingo (15), que diversos países procuraram o governo iraniano para discutir a passagem segura de navios pelo estreito. Segundo ele, um grupo de embarcações de diferentes nacionalidades já recebeu autorização para atravessar a área, embora as decisões finais estejam sob responsabilidade das forças armadas.
Trump pede para que países cuidem do Estreito de Ormuz
Enquanto o Irã controla a circulação de navios, os Estados Unidos buscam apoio internacional para garantir o funcionamento da rota marítima. O presidente Donald Trump afirmou ter recebido “algumas respostas positivas” após entrar em contato com diferentes países para discutir formas de proteger o Estreito de Ormuz.

“Eles foram contatados hoje e ontem à noite, e tivemos algumas respostas positivas. Alguns preferem não se envolver”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. O presidente norte-americano não revelou quais governos foram procurados.
Apesar das consultas feitas por Washington, nenhum país anunciou até agora o envio de embarcações militares para a região. O Japão afirmou que ainda avalia quais medidas pode adotar de forma independente dentro de seu marco legal. A Austrália declarou que não recebeu solicitação para participar de uma operação na área.
Europa demonstra cautela após pedido de Trump
Na Europa, governos também indicaram cautela diante do pedido norte-americano. A Alemanha afirmou que não considera participar de atividades militares no Estreito de Ormuz e ressaltou que o conflito não envolve a Otan. Autoridades italianas defenderam a diplomacia como caminho para resolver a crise, enquanto a Grécia declarou que não se envolverá em operações militares na região.
A China, grande importadora de petróleo transportado pela rota, afirmou que está em contato com “todas as partes” sobre a situação no Estreito de Ormuz. O governo chinês reiterou o apelo por uma redução da escalada do conflito e pediu que os combates sejam interrompidos para evitar consequências econômicas mais amplas.
A escalada no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Washington e Tel Aviv matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. A ofensiva também atingiu alvos estratégicos e integrantes da cúpula militar do regime.