SUS amplia uso da doxiciclina para prevenir sífilis e clamídia
Em 2024, foram notificados cerca de 256 mil casos de sífilis adquirida
O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar o uso do antibiótico doxiciclina para a prevenção de duas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) bacterianas: sífilis e clamídia. A medida foi oficializada em portaria do Ministério da Saúde publicada no Diário Oficial da União.
O medicamento poderá ser utilizado como profilaxia pós-exposição (PEP), ou seja, após situações de risco de transmissão, como relações sexuais desprotegidas. O Ministério da Saúde terá até 180 dias para organizar a oferta da nova estratégia na rede pública.
A doxiciclina é um antibiótico usado há décadas no tratamento de infecções bacterianas. Quando administrado logo após uma possível exposição, pode impedir a multiplicação das bactérias e reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
Sífilis e clamídia estão entre as ISTs bacterianas mais comuns e são transmitidas principalmente por relações sexuais sem preservativo. Sem tratamento, as infecções podem provocar complicações graves, incluindo infertilidade, problemas neurológicos e riscos durante a gestação.
Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, divulgado nesta semana, indicam queda no número de casos da doença no Brasil. Nos últimos três anos, o país registrou redução de 2.093 ocorrências.
Apesar da diminuição, os números ainda chamam atenção. Em 2024, foram notificados cerca de 256 mil casos de sífilis adquirida, além de 89 mil registros da infecção em gestantes. Também foram contabilizados 24 mil casos de sífilis congênita, quando a doença é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, e 183 mortes associadas à infecção.
O tratamento da sífilis e da clamídia é realizado com o uso de antibióticos. No entanto, especialistas destacam que a utilização da doxiciclina como profilaxia não substitui outras medidas de prevenção.
Entre as principais estratégias para reduzir a transmissão das infecções estão o uso de preservativos, a realização periódica de testes para ISTs e o diagnóstico precoce.
De acordo com a portaria, a decisão foi baseada em um relatório técnico elaborado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), documento que ficará disponível para consulta no site do órgão.