quinta-feira, 1 de outubro de 2026
OPINIÃO

Novo mandato em Goiás será bom, qualquer que seja o governador

De Pedro Ludovico a Ronaldo Caiado, os administradores se sobressaem, mesmo os considerados menos atuantes, fazendo com que o Estado venha progredindo bastante desde os anos 1960, com mais vigor neste século

Nilson Gomespor em
Novo mandato em Goiás será bom, qualquer que seja o governador
No último sábado, em Jaraguá, Caiado fez um discurso que emocionou ao se despedir da multidão - Foto: Júnior Guimarães e Hegon Corrêa

Tem visto aí como é difícil chegar ao Governo de Goiás? Nem sempre foi assim. No livro “Os inquilinos da Casa Verde”, Hélio Rocha narra que “o marechal Emílio Rodrigues Ribas estava com a vida tranquila em seu apartamento no Leblon” quando recebeu uma ligação de “um velho amigo e companheiro de farda, o então presidente Humberto Castelo Branco”.

“Emílio, tenho uma missão para ti”, diz o general também chamado de marechal. “Vais ser governador de Goiás.” Assim. Do nada. “Se tu precisas de mim, Humberto, topo a missão.” Dias depois, a 7 de janeiro de 1965, a Assembleia Legislativa elegia indiretamente Ribas por 32 votos e Mauro Borges, o governador derrubado por Castelo, obteve dois.

De quem ocupou a chefia do Executivo goiano por mais de um ano, Ribas (23/1/1965 a 31/1/1966) é conhecido como pior governador da história conhecida do Estado. Porém, os trabalhadores de modo geral, os produtores rurais, de micros a grandes empresários, enfim, a população se vira e o resultado é que nenhum político consegue acabar com Goiás.

O próximo governador será Daniel Vilela (MDB), que assume em menos de duas semanas para completar em 31 de dezembro o 2º mandato de Ronaldo Caiado (PSD). Como O HOJE tem publicado, Daniel é um dos favoritos, pode se reeleger, mas tem três adversários, Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e alguém que o PT vai lançar.

Santillo foi vítima do césio

Dos que administraram na volta das eleições diretas para governador, os mais malfalados foram Henrique Santillo e Alcides Rodrigues, mas essa impopularidade nada tem a ver com seus desempenhos administrativos. Santillo foi vítima do acidente com o Césio 137, que drenou as finanças de Goiás, e ambos tiveram contra si antecessores/sucessores muito populares, Iris Rezende e Marconi, que começaram aliados e terminaram inimigos ferozes. Como ninguém bajula ex, sobrou para eles apanhar sem motivo. A tragédia do Césio tem sido comentada porque foi no mesmo ano, 1987, em que Goiânia recebeu uma etapa do campeonato mundial de velocidade, como agora.

Santillo se dedicou a investir em saúde e cultura. Ia implantar o PPM, Programa de Pavimentação Municipal, pois raras cidades eram pavimentadas, quando o governo federal travou o empréstimo que viria do exterior. Era o segundo grande golpe que levava do presidente José Sarney. O anterior foi o Estado bancar sozinho as despesas da tragédia do Césio. Assim como ele, Alcides também teve a decência de organizar o Estado.

Tem coisa boa até do Ribas

Em sua obra, Hélio Rocha lembra que Ribas “não se preocupou em criar algum programa novo, mas pôde dar continuidade a algumas obras que haviam sido interrompidas com o afastamento de Mauro Borges”. Cita escolas, rodovias, telefonia no interior e unidades de saúde. No entanto, seu maior feito foi não desmanchar o grande legado de Mauro, as empresas que organizaram o desenvolvimento de Goiás.

Ribas foi o último militar no cargo. Iris e Maguito Vilela eram advogados. Marconi só tinha como profissão a política. Santillo, Alcides e Caiado vieram da Medicina. Onofre Quinan era empresário. Dessa safra, o único que continua no páreo é Marconi. Daniel é filho de Maguito, também enveredou pelo Direito, mas todos os seus cargos foram políticos. Wilder é engenheiro e empresário. Os principais nomes do PT são os deputados federais Adriana Accorsi (delegada de polícia) e Rubens Otoni (advogado), os professores Luis Cesar Bueno (ex-deputado estadual) e Edward Madureira (vereador em Goiânia, ex-reitor da UFG), além do sindicalista Delúbio Soares.

Leia também: Goiás atrai investidores nacionais, pois minério está igual a capim

Acha que está ruim? Imagine antes…

Novo mandato em Goiás será bom, qualquer que seja o governador
Qualquer que seja o administrador público, se não atrapalhar os gestores particulares o Estado vai continuar se desenvolvendo – Foto: Walter Folador e Júnior Guimarães

Não importa a profissão do governante e até que não tenha, Goiás vai continuar progredindo, como tem sido desde os anos 1960 e incremento maior neste século. Quem chegar agora pode ser que considere um atraso ter tanto por fazer. Imagine se desembarcasse aqui tempos atrás… Segundo Caiado, este é o Estado nº 1 do Brasil. Em diversas áreas, ele tem razão. Os balanços mostram que o número de empresas não para de crescer, a produtividade no campo é orgulho internacional, a Educação chegou ao 1º lugar no Ideb, a infraestrutura ganha incrementos a cada período. Qualquer que seja o administrador público, se não atrapalhar os gestores particulares o Estado vai continuar se desenvolvendo.

No último sábado, em Jaraguá, Caiado fez um discurso que emocionou ao se despedir da multidão. Para muitos, pode ser conversa de político; para ele, não. Sempre sonhou manter a tradição familiar e governar o Estado. Conseguiu. Agora, pretende se candidatar a presidente da República. De novo, pois tentou em 1989, em sua estreia nas urnas. Está indo mais longe que seus antecessores, inclusive os de sua família – nenhum goiano, em tempo algum, alcançou 35% nas pesquisas para o maior cargo de Executivo e ele ostenta esse índice nos cenários de 2º turno contra Lula (PT).

É no que o vencedor no próximo outubro tem de mirar, o Palácio do Planalto. Ser bom governador é o mínimo que se espera, pois os demais também conseguiram, “de Pedro Ludovico a Ronaldo Caiado”, como diz o subtítulo do livro de Hélio Rocha, postumamente atualizado por sua irmã Ana Claudia Rocha e seu filho Bruno Rocha. (Especial para O HOJE)

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