domingo, 18 de outubro de 2026
Emergência Radioativa

Série da Netflix sobre o Césio-137 traz debate sobre memorial às vítimas do acidente em Goiânia

“Emergência Radioativa” estreou nesta quarta (18) e dramatiza o maior acidente radiológico urbano do mundo; projeto de lei na Alego propõe criação de monumento permanente em homenagem às vítimas

Luana Avelarpor em
Césio-137
Foto: divulgação

A estreia de “Emergência Radioativa”, minissérie lançada pela Netflix nesta quarta-feira (18), devolveu ao centro do debate um dos episódios mais sombrios da história de Goiânia: o acidente com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987. A produção dramatiza os acontecimentos que transformaram a capital goiana no cenário do maior acidente radiológico em área urbana do mundo e reacende discussões sobre memória, responsabilidade e os impactos duradouros da tragédia.

O que aconteceu em 1987

Tudo começou quando um aparelho de radioterapia abandonado em uma clínica desativada foi retirado do local e levado a um ferro-velho no Setor Aeroporto. Durante o desmonte do equipamento, uma cápsula contendo Césio-137 foi aberta, liberando material radioativo. Sem qualquer conhecimento sobre os riscos, o conteúdo passou a ser manipulado e compartilhado entre moradores e trabalhadores, dando início a uma cadeia de contaminação de proporções devastadoras.

Pessoas morreram em decorrência direta ou indireta da radiação, e centenas foram contaminadas. O impacto foi sentido também no espaço urbano: casas foram demolidas, áreas inteiras passaram por descontaminação e cerca de 13.500 toneladas de rejeitos radioativos foram transferidas para o município de Abadia de Goiás, onde permanecem armazenadas sob rígido controle até hoje. O acidente expôs fragilidades graves na fiscalização e no manuseio de materiais radiológicos, deixando um legado de sofrimento para as vítimas e suas famílias que se estende por décadas.

A lacuna na memória coletiva

Apesar da magnitude do ocorrido, Goiânia ainda não conta com um espaço permanente de memória e reflexão sobre a tragédia. É nesse contexto que tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás um projeto de lei apresentado em 2023 pelo deputado estadual Karlos Cabral (PSB), propondo a criação de um memorial em homenagem às vítimas do acidente.

A proposta prevê um espaço permanente voltado à preservação da memória histórica, à informação da população sobre os efeitos da radiação no organismo humano e ao incentivo à pesquisa científica sobre o tema. Como elemento central, o projeto propõe a construção de um obelisco a ser instalado em área de grande circulação na capital, como a Praça do Trabalhador ou o próprio Setor Aeroporto, onde tudo começou. A escolha do formato segue referências históricas de monumentos utilizados mundialmente como marcos de memória e homenagem.

Uma data para não esquecer

O texto também estabelece o dia 13 de setembro como data oficial de lembrança do acidente, com a realização anual de uma cerimônia cívica e militar de caráter solene. A proposta prevê homenagens institucionais com participação dos três poderes, deposição de flores junto ao memorial e um minuto de silêncio em respeito às vítimas.

Para o deputado Karlos Cabral, a iniciativa é um compromisso com a história. “Trata-se de um compromisso com as vítimas, com a história de Goiânia e com as futuras gerações. É fundamental que esse episódio seja lembrado não apenas como tragédia, mas como aprendizado”, destaca.

Leia mais: Caiado sobe em 70% pensões de vítimas do césio-137 em Goiás

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