quinta-feira, 19 de março de 2026
Número de mortes caiu

Brasil bate recorde e salva mais crianças desde 1990

Número de mortes infantis caiu 78% em três décadas, mas ritmo de queda desacelerou e violência já mata metade dos jovens

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de março de 2026
crianças
Foto: freepik

Nenhum dado estatístico traduz melhor o avanço social de um país do que a sobrevivência de suas crianças. Em 2024, o Brasil chegou ao menor índice de mortalidade infantil em mais de 30 anos: 14,2 mortes para cada mil nascimentos, ante 63 por mil em 1990. A queda de 78% não foi acidente, foi resultado de uma decisão política de tratar a saúde básica como prioridade de Estado, com parceria internacional.

Os números integram levantamento divulgado esta semana pelo Grupo Interagencial da ONU para Estimativas de Mortalidade Infantil, que reúne Unicef, Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde. O relatório aponta que a mortalidade neonatal, de recém-nascidos, despencou de 25 para 7 óbitos por mil nascimentos no mesmo período.

A virada começou nos anos 1990, com a criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e do Saúde da Família, que levaram médicos e enfermeiros a municípios que nunca tinham visto assistência regular. Vacinação em massa e combate à desnutrição completaram a equação. O Unicef calcula que cada dólar investido na sobrevivência infantil gera até 20 dólares em retorno econômico e social.

Mas o ritmo esfriou. Entre 2000 e 2009, a mortalidade neonatal caía 4,9% ao ano. De 2010 a 2024, esse índice recuou para 3,16%, queda de 36% na velocidade. O fenômeno acompanha tendência global: desde 2015, o mundo perdeu mais de 60% do ímpeto na redução dessas mortes, sinalizando que os avanços mais fáceis já foram colhidos.

O relatório também expõe uma fratura: em 2024, violência foi responsável por 49% das mortes de rapazes entre 15 e 19 anos no Brasil. Doenças não transmissíveis responderam por 18% e acidentes de trânsito por 14%. Entre as meninas da mesma faixa, doenças não transmissíveis lideram com 37%, seguidas por infecções (17%), violência (12%) e suicídio (10%).

O Brasil salvou milhões de crianças em três décadas de políticas persistentes. O desafio que resta é não deixar adolescentes serem ceifados pela violência antes de alcançar a vida adulta.

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