Greve dos caminhoneiros: lideranças se reúnem e decidem se Brasil vai parar
Lideranças nacionais se reuniram nesta quinta (19) em Santos e optaram pelo diálogo; diesel acumula alta de 19% desde o fim de fevereiro e categoria mantém pressão por redução do ICMS e reajuste do frete
A ameaça de greve dos caminhoneiros ficou, por ora, suspensa. Na tarde desta quinta-feira (19), lideranças nacionais do setor se reuniram em assembleia no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista, em Santos, e votaram por não realizar a paralisação nos próximos dias. A Abrava e o Sindicam participaram do encontro. A categoria manterá o diálogo com as autoridades e seguirá acompanhando a evolução dos preços dos combustíveis.
O que motivou o movimento dos caminhoneiros
A mobilização dos caminhoneiros em 2026 tem origem sobretudo econômica. O diesel acumula alta próxima de 19% desde o fim de fevereiro, pressionado pela instabilidade global e por conflitos internacionais. Como principal custo do transporte rodoviário, o combustível impacta diretamente o valor do frete, que, segundo a categoria, não acompanhou essa escalada. Diante da inviabilidade financeira, muitas entidades relatam que caminhoneiros já optaram por manter os veículos parados.
Entre as reivindicações estão a redução do ICMS sobre o diesel, a adoção de subsídios, o reajuste do frete e melhores condições de trabalho para autônomos. Organizações como a CNTTL e a Abrava orientam que os motoristas evitem bloqueios de rodovias e que o protesto ocorra com paralisações em casa ou em postos e pátios, para reduzir o risco de multas e confrontos.
O que o governo fez
Para evitar os impactos de uma paralisação, o Ministério dos Transportes anunciou nesta semana um pacote de medidas emergenciais, incluindo reforço da fiscalização pela ANTT para garantir o cumprimento da tabela de frete, punição a empresas infratoras e proposta de alívio no ICMS, com os estados zerando o imposto e o governo federal compensando metade das perdas, estimadas em cerca de R$ 1,5 bilhão.
Nesta quinta-feira (19), o governo federal publicou o Decreto nº 12.883/2026, que detalha regras para a comercialização do diesel rodoviário e define diretrizes para a formação do preço de referência. A nova norma altera o Decreto nº 12.878/2026 e estabelece que o preço de comercialização será fixado por ato do Ministério de Minas e Energia durante o período previsto, com possibilidade de adoção de um preço de referência único por região. Atualizações posteriores serão definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
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