quinta-feira, 19 de março de 2026
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Manda Vê: Do violão encostado em casa ao hit de milhões

No último episódio do Manda Vê, o cantor e compositor Dalmi Junior abriu a história por trás de uma carreira que saiu do YouTube e foi parar nas rádios do país

Luana Avelarpor Luana Avelar em 19 de março de 2026
Manda Vê
Foto: Gabriel Louza/O Hoje

Na última quarta-feira (18), o podcast Manda Vê, apresentado por Juan Allaesse, recebeu Dalmi Junior. Ao longo da conversa, o cantor brasiliense abriu a história de uma carreira construída longe dos atalhos, contando desde os primeiros covers no YouTube até as amizades que moldaram o artista que ele é hoje.

No papo, Dalmi contou que tinha dois gols marcados na peneira do Goiás Esporte Clube e mesmo assim não passou. Não foi o futebol que o escolheu. Foi a música. E ela veio do jeito mais simples possível: um violão encostado em casa que ninguém tocava e um adolescente com tempo sobrando depois da peneira.

Nascido em Brasília no dia 5 de outubro de 2001, Dalmi Moreira de Araújo Junior cresceu numa família de contrários que acabaram se complementando. Segundo ele próprio contou no podcast, a mãe, advogada, sempre cobrou estudo. Já o pai, ligado ao agronegócio, sonhava com um filho cantor e, como brincou o cantor, fez nove filhos até acertar. Dalmi foi esse filho.

Ele aprendeu violão sozinho, passou o ensino médio levando o instrumento para a escola e negociou com a mãe um acordo incomum para um jovem de 17 anos: terminar o terceiro ano sem reprovar em troca de um ano livre para tentar a carreira artística.

Um Uno e duas músicas

Manda Vê
Foto: Gabriel Louza/O Hoje

Antes mesmo desse prazo vencer, Dalmi já pesquisava estúdios em Goiânia. Quando conheceu o produtor Blener Maycon e recebeu o orçamento para gravar um projeto de verdade, o número assustou o pai, como o cantor relembrou no Manda Vê. A solução foi pragmática: vendeu o Uno que a mãe tinha dado de presente de aniversário e usou o dinheiro para pagar duas músicas. O pai, ao ver o projeto ganhar forma, entrou com o resto.

O primeiro EP foi gravado em dezembro de 2019 e lançado em junho de 2020, no pico da pandemia. Em 14 semanas, a música de trabalho chegou ao primeiro lugar nas plataformas regionais. Uma live organizada às pressas reuniu dez mil pessoas online.

Do celular ao DVD

O ponto de partida tinha sido anos antes, ainda na escola, com covers postados no YouTube numa época em que o formato reinava. Segundo Dalmi relatou, ele aprendia as músicas por guia, gravava no celular e subia os vídeos antes de qualquer concorrente. Três anos assim, com poucos vídeos mas audiência crescendo. Quando chegou aos quatro milhões de visualizações acumuladas ainda no ensino médio, a dúvida tinha acabado.

Em 2021, já instalado em Goiânia, onde passou quase dois anos morando na casa da família do compositor Gustavo Martins, gravou o primeiro DVD com participações de Humberto e Ronaldo e Vitor Fernandes. A distribuição digital ficou com o Som Música, em Fortaleza, indicação do próprio Vitor.

Em 2025, o EP Bagaceira do Dalmi chegou com três faixas autorais, Hungria Hip Hop como parceiro e números que mudaram de patamar: mais de 900 mil ouvintes mensais no Spotify e 3,7 milhões de visualizações só de Lágrimas e Chuva no YouTube. A releitura do clássico do Kid Abelha ficou na liderança das rádios do Maranhão e do Pará.

Um lava-jato, uma pescaria e dois compadres

No podcast, Dalmi também revelou como as amizades com grandes nomes da música foram se formando, e a conclusão é que nenhuma delas nasceu de camarins ou reuniões de empresários.

A história com Hungria Hip Hop, contou ele, começou num lava-jato em Brasília. Numa manhã de terça-feira, ainda sem música lançada, Dalmi pegou o violão, jogou no carro e foi até lá tocar do lado de quem admirava. Ficaram das dez da manhã até a tarde. Voltaram a se encontrar. O círculo foi se fechando.

O rapper foi o primeiro grande nome a apostar publicamente em Dalmi. Participou do EP, gravou composições escritas pelos dois, levou o cantor para o programa Encontro da TV Globo e o convidou para dividir o palco em shows.

A relação com Henrique e Juliano, segundo Dalmi contou, seguiu caminho parecido, mas com água e anzol no meio. Gustavo Martins, que assina a composição de Bem Pior Que Eu, de Marília Mendonça, apresentou Dalmi à dupla numa pescaria no interior de Goiás. Do encontro fortuito veio uma amizade que se solidificou em DVDs e resenhas que, nas palavras do próprio cantor, costumam não ter hora para acabar.

O episódio completo com Dalmi Junior está disponível no canal do podcast Manda Vê. Vale a escuta.

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