Golpe do “falso advogado” dispara no país e preocupa tribunais
Criminosos usam dados reais de processos para enganar vítimas e pedir dinheiro; CNJ já articula medidas com tribunais para conter a fraude
O golpe do “falso advogado” ganhou força no Brasil ao longo de 2025 e segue em alta em 2026, acendendo um alerta dentro do próprio Judiciário. A Ouvidoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem registrado um aumento significativo nas denúncias e já começou a articular medidas com tribunais para tentar conter o avanço da fraude.
O esquema tem se tornado cada vez mais sofisticado. Criminosos acessam informações reais de processos judiciais — como nomes, valores e andamento das ações — e usam esses dados para se passar por advogados ou funcionários de escritórios. A abordagem costuma acontecer por aplicativos de mensagem, principalmente o WhatsApp, o que aumenta a sensação de confiança das vítimas.
Criminoso se passa por advogado
Na conversa, os golpistas afirmam que a pessoa tem dinheiro a receber na Justiça. Em seguida, inventam taxas, custas ou “liberação de valores” e pedem transferências imediatas. O prejuízo, no entanto, é certo: o dinheiro nunca chega, e o contato desaparece.
Segundo o CNJ, o volume de registros aumentou de forma relevante desde o ano passado, consolidando o golpe como uma das fraudes mais recorrentes envolvendo dados judiciais no país. Do total de manifestações recebidas, 74 foram registradas em 2025 e 14 em 2026. A preocupação agora é com o uso indevido de informações públicas, que acabam sendo exploradas por criminosos para dar aparência de legitimidade ao contato.
Segurança das informações
Diante desse cenário, o órgão passou a discutir com tribunais medidas para reforçar a segurança dos sistemas e dificultar o acesso indevido aos dados. A ideia é reduzir brechas que permitem que essas informações sejam usadas em golpes.
Entidades ligadas à advocacia também acompanham o avanço dos casos e alertam para o nível de organização dos criminosos, que chegam a utilizar nomes reais de advogados, documentos falsificados e linguagem técnica para convencer as vítimas.
A principal orientação é clara: desconfie de qualquer contato inesperado envolvendo valores judiciais. Advogados não pedem transferências por mensagens, e qualquer informação deve ser confirmada diretamente com o profissional responsável pelo processo.
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