sexta-feira, 20 de março de 2026
Delação de Vorcaro

Parceria entre PF e PGR blinda delação de Vorcaro para evitar vazamentos

Com aval do ministro André Mendonça, o acordo de confidencialidade marca o início das tratativas, que devem envolver autoridades do Judiciário e do meio político

Paula Costapor Paula Costa em 20 de março de 2026
Caso Master
Com supervisão conjunta, o objetivo é evitar vazamentos, impedir acobertamentos e garantir que tudo seja sustentado por provas. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

A formalização de um acordo de confidencialidade entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, marca um novo estágio nas negociações para uma possível delação premiada do banqueiro. A medida, avaliada por integrantes da Corte, busca garantir a integridade das informações, evitar vazamentos e assegurar que o processo ocorra com base em provas consistentes.

Nos bastidores do STF, magistrados consideram que a atuação conjunta entre PF e PGR tende a equilibrar o processo de colaboração, impedindo tanto excessos quanto tentativas de omissão. A avaliação predominante é de que a dupla supervisão funcionará como mecanismo de controle mútuo, reduzindo o risco de manipulação de dados ou acobertamento de informações sensíveis.

A decisão de Mendonça também incluiu a transferência de Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal na capital, com o objetivo de facilitar as tratativas. O termo de confidencialidade assinado representa a etapa inicial das negociações, que deverão ocorrer sob sigilo.

Interlocutores do Judiciário consideram inevitável o avanço da colaboração, vista como consistente e potencialmente abrangente. A expectativa é de que o empresário detalhe suas relações com autoridades, incluindo ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de conexões com agentes políticos.

Diante da amplitude dos possíveis desdobramentos, a delação é tratada como uma das mais sensíveis já conduzidas no país, com potencial para atingir figuras dos três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – e provocar impactos relevantes no cenário político-institucional.

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