terça-feira, 6 de outubro de 2026
Educação em avanço

Goiás reduz analfabetismo adulto e transforma vidas de mais de 10 mil pessoas

Iniciativa do Governo de Goiás contribui para queda de 32,2% no índice de analfabetismo e promove inclusão social, especialmente entre idosos

Renata Ferrazpor em
Adulto
Foto:Divulgação/Seduc

O Estado de Goiás tem registrado avanços consistentes na redução do analfabetismo entre jovens, adultos e idosos, impulsionado por políticas públicas voltadas à educação inclusiva. Um dos principais motores desse resultado é o programa Alfabetização e Família, iniciativa do Governo de Goiás que já alfabetizou mais de 10,2 mil pessoas desde sua criação, em 2019. 

Os dados mais recentes da PNAD Contínua indicam uma queda de 32,2% na taxa de analfabetismo no Estado entre 2016 e 2023, reforçando o impacto direto da ação. O resultado coloca Goiás entre os estados que mais avançaram no enfrentamento ao analfabetismo nos últimos anos, evidenciando a eficácia de políticas públicas continuadas e focadas em públicos historicamente excluídos do sistema educacional.

Voltado para pessoas a partir dos 15 anos que não tiveram acesso à escolarização na idade adequada, o programa atende atualmente dezenas de municípios, com 91 turmas em funcionamento. A proposta vai além da alfabetização básica, buscando promover inclusão social, autonomia e cidadania, especialmente entre a população idosa, que concentra grande parte dos analfabetos no País.

Expansão e resultados concretos entre 

Coordenado pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e integrado ao Goiás Social, o programa tem ampliado sua capilaridade ao estabelecer parcerias com prefeituras, secretarias municipais de Educação e unidades do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). 

As aulas acontecem em espaços comunitários, como igrejas, associações e centros de convivência, facilitando o acesso de quem, muitas vezes, enfrenta limitações de mobilidade. Esse modelo descentralizado permite que o ensino chegue mais perto dos alunos, reduzindo barreiras logísticas e incentivando a permanência nas turmas.

Com duração média de seis meses, o curso oferece encontros três vezes por semana, com turmas reduzidas no máximo 10 alunos para garantir acompanhamento individualizado. Os estudantes recebem material didático, uniforme e kit escolar, enquanto os alfabetizadores passam por capacitação específica e atuam como bolsistas, geralmente com formação em Pedagogia ou Magistério. Esse suporte estruturado tem sido apontado como um dos diferenciais do programa, assegurando melhores condições de ensino e aprendizagem.

Segundo a gerente de Educação de Jovens e Adultos, Istela Regina, o programa tem papel essencial na reconstrução de trajetórias interrompidas. “A alfabetização resgata a dignidade de quem não teve oportunidade no tempo certo e abre caminhos para novas possibilidades de vida”, afirma. Para muitos alunos, o retorno à sala de aula representa não apenas o aprendizado das letras, mas também o resgate da autoestima e da confiança.

Histórias que traduzem o impacto social

Mais do que números, os resultados do programa são refletidos em histórias pessoais. Aos 68 anos, Maria Evane voltou à sala de aula após décadas longe dos estudos. “Sempre tive vontade de aprender. Dizia que um dia voltaria, nem que fosse do zero. Hoje estou aqui, feliz”, relata. A experiência, segundo ela, vai além da aprendizagem e envolve também convivência, troca de experiências e fortalecimento de vínculos.

Casos como o de Maria se repetem em diferentes regiões do Estado. Muitos idosos encontram na alfabetização uma oportunidade de conquistar independência em tarefas cotidianas, como ler receitas médicas, utilizar transporte público ou assinar documentos. 

Além disso, o processo de aprendizagem estimula funções cognitivas, contribuindo para a saúde mental e prevenindo o isolamento social. Em diversos relatos, alunos destacam que passaram a se sentir mais seguros para participar da vida comunitária e tomar decisões no dia a dia.

A realidade local dialoga com o cenário nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2024, cerca de 5,1 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais ainda eram analfabetos, representando 14,9% dessa faixa etária. O grupo concentra mais da metade dos analfabetos do País, evidenciando a necessidade de políticas públicas direcionadas. 

Alfabetização na terceira idade como ferramenta de saúde e inclusão social 

Especialistas apontam que a alfabetização na terceira idade vai além da sala de aula e impacta diretamente a qualidade de vida. Aprender a ler e escrever permite maior compreensão sobre tratamentos de saúde, uso correto de medicamentos e acesso a serviços públicos, reduzindo riscos e aumentando a autonomia. Em casos de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, essa compreensão pode ser determinante para o controle adequado.

Outro ponto relevante é a inclusão social. Ao desenvolver habilidades básicas de leitura e escrita, os idosos passam a interagir com mais segurança em ambientes coletivos e também no meio digital. O uso de celulares, aplicativos de mensagens e serviços bancários se torna mais acessível, diminuindo a dependência de terceiros e fortalecendo vínculos familiares.

Além disso, a alfabetização contribui para reduzir a vulnerabilidade a golpes financeiros, cada vez mais comuns em um cenário de digitalização. Com mais informação e autonomia, esse público amplia sua capacidade de tomar decisões e proteger seus próprios recursos.

Apesar dos avanços, o analfabetismo entre idosos segue como um desafio estrutural no Brasil, marcado por desigualdades históricas e regionais. A alfabetização tardia, nesse contexto, ganha importância não apenas educacional, mas também como estratégia de saúde pública e inclusão social.

Levantamentos nacionais indicam que a taxa de analfabetismo é maior entre pessoas com mais idade e também entre populações em situação de vulnerabilidade social. Fatores como renda, acesso à escola na infância e localização geográfica ainda influenciam diretamente esses índices, exigindo políticas públicas contínuas e integradas.

Em Goiás, a continuidade e expansão do programa Alfabetização e Família indicam uma tendência positiva. Com abertura de novas turmas todos os meses e fortalecimento das parcerias locais, a iniciativa busca alcançar ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade educacional.

O avanço na alfabetização, tanto no Estado quanto no País, revela que investir em educação ao longo da vida é essencial para reduzir desigualdades e garantir direitos básicos. Nesse contexto, iniciativas como a desenvolvida em Goiás ganham relevância ao demonstrar que é possível reduzir esses índices com ações contínuas, estruturadas e voltadas às reais necessidades da população.

Leia mais: Goiânia avança na saúde pública com proposta de centro para tratamentos com cannabis medicinal

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

PCDF fecha sexta casa de prostituição em operação na Asa Norte, em Brasília

combate à exploração sexual

PCDF fecha sexta casa de prostituição em operação na Asa Norte, em Brasília

Estabelecimento funcionava na CLN 102 e era anunciado em plataforma de acompanhantes
Polícia Civil prende suspeito de vender haxixe por delivery no DF

Tráfico de drogas no DF

Polícia Civil prende suspeito de vender haxixe por delivery no DF

O suspeito de 37 anos foi flagrado com 10 kg da droga, avaliados em cerca de R$ 500 mil
Lito Sousa

Homenagem

Viúva de Lito Sousa apoia proposta para batizar aeroporto de Guarulhos com nome do influenciador

Projeto apresentado no Congresso pretende trocar nome do terminal para Aeroporto Internacional de S�...
Motores de helicóptero que caiu e matou Rick são retirados de local do acidente

acidente aéreo

Motores de helicóptero que caiu e matou Rick são retirados de local do acidente

Aeronave caiu em Urubici, na Serra Catarinense, em 21 de setembro; acidente matou cinco pessoas
Mega-Sena

LOTERIAS

Mega-Sena sorteia R$ 92 milhões nesta terça-feira (6); veja como apostar

Concurso 3.067 será realizado à noite, e interessados podem registrar os jogos até o horário lim...
Mulher é presa suspeita de dar seis facadas na cabeça do companheiro em Goiânia

Crime em Goiás

Mulher é presa suspeita de dar seis facadas na cabeça do companheiro em Goiânia

Homem de 47 anos foi socorrido com intenso sangramento após discussão no Jardim Novo Mundo; vítim...
PM de folga é preso após adolescente de 15 anos ser baleada em Abadia de Goiás

Crime

PM de folga é preso após adolescente de 15 anos ser baleada em Abadia de Goiás

Jovem foi atingida dentro de um carro na saída de uma confraternização, na Chácara Rancho Dourad...
Campanhas em Goiânia arrecadam doações para o Dia das Crianças

Ser do bem

Campanhas em Goiânia arrecadam doações para o Dia das Crianças

Comunidade Santa Edwiges prepara festa no Residencial Solar Ville, em Goiânia, e ainda busca brinqu...