Escalada da pressão: Vorcaro no centro da crise
Investigado por fraudes bancárias e suspeito de interferir nas apurações, o ex-banqueiro vê o cerco se fechar enquanto negocia uma possível delação premiada que pode atingir figuras do poder
O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, percorreu diferentes regimes de detenção no sistema prisional brasileiro desde sua prisão inicial, em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Investigado por suspeitas de fraudes bancárias no âmbito da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Superior Tribunal Federal (STF), o ex-banqueiro passou por prisão domiciliar, unidades estaduais e federais de segurança máxima até chegar, atualmente, à carceragem da PF, na capital federal, em meio às negociações para um possível acordo de delação premiada.
A primeira detenção ocorreu em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi interceptado ao tentar embarcar para Dubai. Na mesma fase da operação, a Polícia Federal cumpriu outros mandados de prisão preventiva contra investigados por crimes como gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Inicialmente, ele permaneceu sob custódia na Superintendência da PF em São Paulo, sendo posteriormente transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP II) de Guarulhos.
Cerca de dez dias após a prisão, decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu liberdade com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o cumprimento de prisão domiciliar, regime que perdurou por aproximadamente quatro meses.
A situação foi revertida em 4 de março de 2026, quando o ministro André Mendonça determinou nova prisão preventiva, diante de indícios de que o investigado tentava interferir nas apurações. Segundo a Polícia Federal, a nova fase da investigação apura práticas como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos. Após audiência de custódia, Vorcaro retornou ao CDP de Guarulhos e, no dia seguinte, foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Potim II, no interior paulista.
A permanência na unidade estadual foi breve. Em decisão subsequente, Mendonça autorizou a transferência para a Penitenciária Federal de Brasília, estabelecimento de segurança máxima, citando a influência do ex-banqueiro e a necessidade de garantir sua integridade física. O magistrado também levou em consideração a morte de Luiz Mourão, apontado como operador ligado a Vorcaro, ocorrida em dependência da PF em Belo Horizonte.
Na última quinta-feira (19), o investigado foi novamente transferido, desta vez para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O deslocamento, realizado por helicóptero, marca o início das tratativas para eventual colaboração com as autoridades.
No atual regime, Vorcaro ocupa cela padrão destinada a presos comuns, com estrutura reduzida e monitoramento contínuo. O espaço contrasta com acomodações especiais já utilizadas por autoridades em outras ocasiões, evidenciando a mudança de tratamento ao longo do processo.
A trajetória recente do ex-banqueiro expõe não apenas a escalada das medidas cautelares impostas pelo Supremo, mas também o avanço das investigações que podem redefinir o alcance político e financeiro do caso Banco Master no cenário nacional.